• Matheus Mans

Crítica: '1 por Todos' é fracasso da Band que merecia reconhecimento


Sem muito alarde, a TV Bandeirantes começou a apostar, no mês de novembro, em um novo reality show na segunda-feira a noite. É o 1 Por Todos, competição de empreendedorismo que chegou ao final nesta segunda-feira, 17. A audiência, como pode ser visto nos relatórios do IBOPE, foi trágica: variava entre 0,5 e 1,5, sem passar muito disso. Mas o resultado é injusto. Afinal, ainda que tenha alguns problemas graves em seu desenvolvimento, 1 Por Todos é um reality com muito potencial, boa produção e uma execução interessante. Se aparadas as arestas, merecia mais uma chance

Patrocinado pela Cacau Show, o programa reúne profissionais de cinco áreas: confeitaria, marketing, empreendedorismo, engenharia de produção e design. Com as pessoas devidamente selecionadas, foram formados quatro diferentes grupos, com nomes indígenas, que possuíam um profissional de cada setor. É um grupo multidisciplinar que tinha o objetivo de criar um novo produto para a empresa de chocolates e, dessa maneira, ter ganhos diretos sobre as vendas dessa tal criação.

O programa já começou acertando no início com boas provas classificatórias entre as profissões. Para confeitaria, por exemplo, foi pedido que fossem feitas trufas. Na de designers e empreendedores, que fosse criada uma loja da Cacau Show. Na de engenharia de produção, cálculos para determinado tipo de chocolate. E, por fim, para marketing, venda porta a porta no centro de São Paulo. É um tipo de seleção dinãmico e emocionante, tendo avaliações dos jurados Alê Costa, Fabrizio Fasano e Mônica Burgos.

Só a prova de repescagem foi uma piada. Uma gincana decidiu quem voltava. Repito: uma gincana, sem diferencial. Não fez sentido nenhum e não testou a habilidade deles.

Mas, de resto, o programa teve acertos expressivos. O desenvolvimento do produto é um processo mais interessante do que parece, ainda mais com os diversos estágios elaborados pelos roteiristas e produtores do 1 Por Todos. Carol Ribeiro, apresentadora e modelo, também foi entendendo melhor suas funções e a entrar melhor na personagem que precisava. Ajudou a audiência a direcionar mais força e empatia aos competidores.

O trio de jurados, já citado, também desempenha bem seu papel na competição. Fabrizio Fasano vem do divertido Bake Off, do SBT, e parece não ter o mesmo espaço para crescer e aparecer. Mas, ainda assim, faz considerações ponderadas e elegantes. Mônica Burgos é delicada em suas colocações, mas sabe ser rígida quando precisa. A dupla funciona bem. Só Alê Costa que fica sobrando. Há momentos com ele, que é presidente e fundador da Cacau Show, que se torna mais marketing do que reality. Um almoço numa área privativa do empresário, por exemplo, não faz sentido. Fica estranho.

1 Por Todos, infelizmente, afundou na audiência e não decolou. No entanto, a boa dinâmica da competição, o bom entrosamento de Fasano e Brugos e a interessante ideia geral faz com que essa seja uma das maiores injustiças da TV brasileira em 2018. Merecia mais audiência, atenção. Tomara que a Band, que designou cuidados a la MasterChef na produção, não desista da atração -- como fez com o ótimo Perdidos na Tribo, por exemplo. É um formato que deve e merece ser mais explorado no futuro.

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