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  • Matheus Mans

Crítica: 'A Sentinela', da Netflix, aposta em exagero de clichês do cinema de ação


Que filme mais esquecível é esse A Sentinela, produção francesa de ação que chegou ao catálogo da Netflix nesta sexta-feira, 5. Dirigido e corroteirizado por Julien Leclercq (de Lukas e de A Terra e o Sangue), a produção parece uma mistura qualquer de John Wick e Entre Irmãos, mas sem nunca encontrar sua própria voz, se perdendo num mar de clichês do cinema de ação.


E essas banalidades começam logo pela trama. Klara (Olga Kurylenko) é uma soldada do exército francês que passa por uma experiência traumática no Oriente Médio -- a cena desse trauma permite até um drinking game, de tantos clichês numa única sequência. Assim, abalada, ela volta para a França. É aí que a irmã é estuprada e Klara, revoltada, persegue os criminosos.


Ainda que Kurylenko (Oblivion) seja uma boa atriz, com uma desenvoltura em cenas pesadas de ação, não há nada aqui que permita um desenvolvimento da atriz e de sua personagem. O roteiro do filme, escrito por Leclercq e Matthieu Serveau (A Terra e o Sangue), mistura elementos batidos para tentar criar essa personagem que, em momento algum, se diferencia.


As tentativas de aprofundar a personalidade de Klara são jogadas ao vazio. A homossexualidade da personagem, por exemplo, nunca é desenvolvida -- parece apenas um artifício barato de roteiro, sem qualquer função de ser na história. As justificativas de proteção ao redor dos tais criminosos, que motivam a ira da protagonista, também acabam sendo recursos simples.


A Sentinela nunca, em momento algum, se arrisca ou surpreende. Até mesmo a boa desenvoltura de Kurylenko em cenas de ação, como já citamos aqui, não é bem aproveitada -- a câmera fica sempre confusa em sequências mais intensas, nunca retratando bem o que está acontecendo. No final, pouco sobra dessa narrativa tão esquecível e sem personalidade.

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