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  • Matheus Mans

Crítica: 'Abe' é filme bonitinho e simpático, mas de execução mediana


O diretor Fernando Grostein Andrade está construindo uma carreira interessante no audiovisual, assinando a direção de filmes como Coração Vagabundo e Quebrando o Tabu. Agora, ele parte para a ficção com Abe. Aqui, porém, Andrade deixa o cenário brasileiro para trás para mergulhar na história do personagem-título, o pré-adolescente simpático interpretado por Noah Schnapp.


Ele enfrenta dois dilemas no início da adolescência. Primeiramente, a família de raízes judias e palestinas, avós, mãe e pai brigam para que o menino decida qual caminho seguir. Enquanto isso, uma paixão mexe com os ânimos do garotinho: a gastronomia. Ele quer seguir o caminho cozinhando no restaurante de um brasileiro (Seu Jorge), mas precisa fazer isso escondido.

A partir daí, acompanhamos esse menino conhecendo, experimentando e tentando encontrar a sua liberdade. Abe é, acima de tudo, uma produção sobre liberdade: fala sobre encontrar a própria voz em um mundo em que tudo e todos pressionam por tomadas certeiras de decisões. É uma premissa interessante, baseada inclusive em experiências pessoais do próprio cineasta.


Na condução da trama, encontramos sobretudo leveza. Assim como Chef, por exemplo, a gastronomia serve como um motor para a trama. É gostoso de assistir, em vários sentidos que essa colocação pode fazer surgir. O diretor também aproveita bem a direção de fotografia de Blasco Giurato não só para fotografar a comida, como também para dar o tom do filme no todo.


Uma pena, porém, que a execução do filme é morna demais. Há um cheiro de amadorismo no ar em alguns momentos. Sabe aquelas produções americanas lançadas diretas em DVD, sem nenhum tipo de alarde? É exatamente isso que sentimos em alguns momentos de Abe. Falta força, coesão e, principalmente, uma maior consciência do que a história pode enfim contar.


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