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  • Matheus Mans

Crítica: 'Bake Off Brasil' encerra quarta temporada com chave de ouro


A competição de culinária Bake Off Brasil chegou ao final de sua quarta temporada neste sábado, 15, com a vitória do excelente Ricardo e com uma audiência surpreendente. Mas o mais impressionante, com o encerramento do programa, foi a qualidade mantida ao longo dos 17 episódios, que conseguiram trazer momentos de descontração genuína, boas noções e diversidade de técnicas de confeitaria, participantes interessantes e um time entrosado e satisfeito de apresentadores.

Para quem não sabe, o Bake Off Brasil sofreu uma brusca mudança da terceira temporada para a atual: a apresentadora era Ticiana Villas Boas e a dupla de jurados era Carol Fiorentino e Fabrizio Fazano. A primeira saiu por conta da prisão de seu marido, o empresário Joesley Batista. Ela e o SBT consideraram que não seria bom para o programa mantê-la no ar. Fazano, enquanto isso, desistiu da atração por se considerar inestimável. Queria aumento. Não aconteceu. Já Fiorentino parece que saiu pela culatra. No meio de toda essa confusão, desentendeu-se e acabou de fora.

O que era para ser a hecatombe do programa, porém, se tornou um refresco para o Bake Off. No lugar de Ticiana, entrou Nadja Haddad -- jornalista e ex-participante do Programa Silvio Santos. Apesar da pouca experiência com o tema, saiu-se muitíssimo bem. Criou vínculo com os participantes, ajudou o público a "comprar" a ideia geral do programa e se tornou marcante para a atração. No lugar dos jurados, entrou a dupla Beca Milano e Olivier Anquier. Ele é chatíssimo, cheio de bobagens, mas faz contraste com a outra jurada, mais técnica, elegante e sutil. Funciona bem, no geral das contas.

E assim, dessa maneira, o programa se renovou quase sem querer. Vício de atitudes e de escolhas de participantes, já visível nas últimas edições com Fazano, Fiorentino e Ticiana, sumiu e deu lugar para novidades e imprevisibilidade -- o que é ótimo para um programa do gênero. Com isso, a jornada dos participantes ficou mais interessante. Surgiram alguns nomes realmente amados pelo público, como a querida Fatinha, o escandaloso Luis e a divertida Lola, além de alguns outros que despertaram admiração genuína, como o vencedor Ricardo e a esforçada Núbia. Participantes marcantes.

Além disso, viu-se justiça na maioria das escolhas. Ainda que Nadja protegesse a maioria deles, com contagens regressivas mais lentas que o normal ou, até mesmo, colocando a mão na massa, a maioria das decisões tomadas ao decorrer da competição agradaram e não se mostraram sem sentido -- como nas duas últimas temporadas de MasterChef, da Band, que escolheram participantes com qualidade duvidosa. Aqui, ganhou o melhor e os mais fracos logo saíram. Isso, acaba valorizando todo o programa e dando muito mais qualidade pra atração. Ganhou vastos pontos com a audiência.

Assim, Bake Off Brasil renasceu das cinzas em sua quarta temporada e se mostrou como um dos programas de culinária mais queridos em exibição. Afinal, é bem produzido, o elenco está coeso e traz diferentes humores ao longo de toda a sua temporada -- diversão, surpresa, tristeza, emoção. A torcida, agora, é que a quinta temporada consiga manter a qualidade e que todos esses pontos positivos, de alguma forma, não acabem extrapolando e se tornando artificiais. Do jeito que está, Bake Off Brasil caminha para ser o melhor programa de culinária em exibição. Cuidado, Master Chef.