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  • Matheus Mans

Crítica: 'Borat: Fita de Cinema Seguinte' é ácida provocação política


Quando chegou aos cinemas em 2006, Borat se transformou quase que instantaneamente em um ícone da cultura pop. O repórter do glorioso país do Cazaquistão, interpretado brilhantemente por Sacha Baron Cohen (de O Ditador, Os 7 de Chicago), se tornou ícone de provocação política por meio de esquetes bem boladas, satirizando estereótipos árabes.


Agora, o personagem retorna 14 anos depois com Borat: Fita de Cinema Seguinte. Exclusivo do Amazon Prime Video, o filme mostra Borat tendo que lidar com a fama (e a desgraça) após o primeiro documentário. Ele precisa, então, retornar aos EUA para encontrar uma forma dos americanos voltarem a reconhecer a grande nação do Cazaquistão e perdoarem o seu líder.


É um filme que já começa inferior à primeira parte, já que o ineditismo, o frescor e a ousadia são exclusividades dessa primeira ideia. Cohen volta precisando se disfarçar frequentemente para fazer suas esquetes, o que trava um pouco o humor. Ainda bem, porém, Maria Bakalova segura bem as pontas da questão de ineditismo como a filha de Borat desbravando a América.

Por conta dessas limitações, Baron Cohen acaba recorrendo à piadas um pouco mais agressivas e, principalmente, tenta aproveitar mais as tensões e os absurdos políticos que acontecem nos Estados Unidos. Duas cenas envolvendo políticos (Mike Pence, vice-presidente, e Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York) são antológicas. Outra, com republicanos em quarentena, é hilária.


O humor, assim, acaba vindo em doses um pouco mais moderadas, graças ao texto afiado de Cohen, e a partir de uma trama engessada. Os melhores momentos são quando o astro quebra os limites do aceitável, como fez com Pamela Anderson anteriormente, ou quando se rebaixa à mentalidade que tomou os EUA -- acreditar que o Holocausto não existiu, por exemplo.


Enfim, esta é uma sequência naturalmente abaixo do filme original. Mas isso não faz, de maneira alguma, com que Borat: Fita de Cinema Seguinte seja um filme ruim ou esquecível. Pelo contrário. É capaz que a cena com Giuliani, por exemplo, reverbere por anos. Afinal, a graça de Borat é justamente causar um humor tão caótico que nos leva para outros níveis de reflexão.

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