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  • Matheus Mans

Crítica: 'Chernobyl: O Filme' chega atrasado sem nada a acrescentar


Sabe quando você está numa roda de conversa e alguém chega para dizer algo que todo mundo já sabe? Pode ser até interessante incluir aquela pessoa na conversa, mas não há o mesmo impacto ou o interesse. Tudo parece redundante. É justamente o que se passa com Chernobyl: O Filme - Os Segredos do Desastre, filme que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 18.


Produção russa e com distribuição com dublagem em inglês no Brasil, o longa-metragem acompanha justamente as histórias ao redor do acidente nuclear na cidade de Chernobyl. Se valendo da ficção para falar sobre algo que aconteceu de verdade, sem histórias reais daqueles personagens envolvidos no desastre, o filme traz carrossel de possibilidades, forças, tristezas.


Para isso, a cineasta Danila Kozlovskiy se aprofunda no antes, no durante e no depois da tragédia, traçando diferentes perfis, cenários e personagens -- com destaque, principalmente, no bombeiro Alexey (Danila Kozlovskiy) e na cabelereira Olga (Oksana Akinshina). Há potência na forma que a cineasta reconstrói o desastre e, sobretudo, cria sequências desalentadoras.

No entanto, fica a dúvida que falamos no começo: o que realmente há de novo por aqui? Chernobyl: O Filme - Os Segredos do Desastre, ao contrário do que sugere o título em português, não tem segredo algum. Ainda que seja a própria visão russa sobre a tragédia, tudo que é contado aqui ao longo de 2h16 já foi visto, com mais precisão e cuidado, em Chernobyl, da HBO.


Apesar do esforço, assim, fica a sensação de assunto encerrado. Do outro lado, pensando em quem não viu a série, fica aquela sensação de que a pessoa poderia estar mergulhando em uma produção um pouco melhor acabada, e com uma história mais redonda, mas está gastando a experiência sobre uma trama tão potente de um acontecimento tão forte com um filme mediano.


Chernobyl: O Filme - Os Segredos do Desastre, assim, tem seus méritos -- é muito melhor do que A Sereia, A Noiva ou Os Guardiões, por exemplo. Mas poderia ser melhor. Talvez ter focado em algo mais inédito, trazido acontecimentos realmente impactantes. Do jeito que chegou aos cinemas, ficou aquela sensação de história já contada antes, de maneira mais sonora e invejável.


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