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  • Matheus Mans

Crítica: 'Escape Room' é desesperador, mas banal


Filmes que colocam pessoas em situações extremas, tendo um limite máximo de tempo para escapar da morte, não é novidade. No mundo do terror, essas ideias ganharam força com dois filmes: Jogos Mortais e Cubo. O primeiro se tornou uma grande franquia do gênero, rendendo oito filmes e milhões de dólares em bilheteria. O segundo, enquanto isso, ficou restrito em apenas um longa-metragem, mas caiu nas graças do público e hoje é relembrado com carinho. Agora, um novo filme foca nessas histórias e na possibilidade de rejuvenescê-las: é Escape Room, que chega ao País nesta quinta, 7.

A trama é simples: um grupo de pessoas, das mais variadas idades e profissões, é chamado para participar de uma brincadeira de escape room -- salas que exigem que o participante saia em até 60 minutos, geralmente, por meio de pistas. Só que no filme, a coisa é mais séria: o último a sair ganha US$ 10 mil e as salas não são tão simples como parecem. Cada uma delas esconde uma artimanha perigosa e, por vezes, fatal, como fornos gigantes, temperaturas extremas, situações de delírio e coisas do tipo.

A partir daí, o diretor Adam Robitel (Sobrenatural: A Última Chave) comanda uma orquestra de desespero. Afinal, os participantes tentarão escapar com vida de situações-limite ao mesmo tempo que precisam encontrar pistas escondidas e decifrar enigmas. Apesar da ideia resvalar nos já citados Cubo e Jogos Mortais, ela traz o ineditismo de ser uma escape room e ter esse aspecto lúdico e jovial. Por mais difíceis que sejam os desafios, é fácil de compreender o que precisa ser feito pra sair dali. Isso, de alguma maneira, faz com que o espectador fique mais imerso nessa tal brincadeira.

O elenco também ajuda a dar adrenalina para as sequências e, assim, passar um franco desespero para o espectador -- apesar dos clichês e estereótipos escritos pelos roteiristas Bragi Schut e Maria Melnik. Nik Dodani (Atypical) é o grande alívio cômico e funciona na tela. Pena que seja pouco aproveitado. Tyler Labine (Planeta dos Macacos) funciona como um participante menos capaz, assim como Deborah Ann Woll (True Blood) convença no papel de uma ex-combatente no Iraque. Logan Miller começa estranho, mas logo entra no papel de protagonista. O problema está em Taylor Russell e Jay Elis. Eles não conseguem vencer a irritação de seus papéis. São chatos.

Toda a adrenalina das cenas de fuga, porém, se esvai na conclusão. Schut (Caça às Bruxas) e Melnik (Deuses Americanos) decidem fazer uma reviravolta para justificar todo o perigo nas salas de escape room e... é bizarro como eles resolvem concluir toda a trama. Não faz sentido. É brega, artificial, forçada, vergonhoso. O longa-metragem também comete o erro de ter mais de um final, fazendo com que tudo se torna ainda mais decepcionante. Aqui, só os grupos de amigos, desejosos por rir e se divertis nas salas de cinema, vão encontrar alguma diversão. O resto do público vai se frustrar.

Escape Room é um divertimento interessante. Funciona como filme de fuga e de corrida contra o relógio, passando o desespero para a audiência -- difícil não se interessar e mergulhar na ambientação. Mas o final coloca tudo a perder com uma conclusão que não vai para lugar nenhum. É um total anticlímax que vai causar afãs de desespero no público. Uma pena. Tomara que na possível continuação, já ensejada no final deste filme, esses problemas sejam arrumados. Potencial tem. Só falta mais qualidade.