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  • Matheus Mans e Bárbara Zago

Crítica: ‘Gypsy’, da Netflix, é repleta de erros e sem carisma


Ao longo das últimas semanas, pipocaram críticas negativas à série Gypsy, da Netflix, em grande parte da imprensa brasileira -- como no CinePop e no Correio Braziliense. E o argumento é sempre o mesmo. A série dá sono, sem história, falha no desenvolvimento de personagens. Parece um desastre. Eu não acreditei. Afinal, é uma produção com Naomi Watts (O Impossível), Billy Crudup (Peixe Grande e Suas Maravilhas Histórias) e produzida pela Netflix. Paguei pra ver.

A trama começa interessante, ainda que mansa: conta a história de uma psicóloga (Watts) que não se contenta em ouvir apenas um dos lados da história. Depois de conversar com seus pacientes, ela sai em busca de mais informações e começa a entrar na vida de cada um, interferindo em situações e se relacionando com pessoas do círculo social deles. Numa dessas que ela se apaixona por Sidney (Sophie Cookson, de Kingsman), ex-namorada de um dos seus pacientes.

A partir daí que a história ganha tração, deixando o primeiro e, principalmente, o segundo episódios mais emocionantes. O espectador entra na vida de Jean, a psicóloga, e começa a ver o que a faz ter esta vida de stalker. São situações que funcionam e deixam o clima de apreensão no ar. Afinal, impossível não temer que as “escapadas” sejam descobertas -- e que tudo, seja vida pessoal ou profissão, vá por água abaixo em instante. É energético, apesar da atuação apática de Naomi Watts.

No entanto, a partir do terceiro episódio, a trama começa uma decadência sem freios. Toda o sentimento apático de Watts começa a inundar a história, fazendo com que ela fique sem grandes acontecimentos por episódios inteiros. Exemplo: várias produções de 10 episódios deixam as reviravoltas para o quinto ou o sexto capítulo, para prender o espectador -- como é visto em American Horror Story ou Game Of Thrones. No entanto, no quinto episódio de Gypsy, apenas uma coisa relevante acontece. Uma.

Neste momento, quando episódios inteiros podem ser jogados no lixo, a atenção do quem assiste some. A trama empaca em uma situação e não avança, deixando que o lado apático de Watts tome conta de tudo. Nem o carisma de Billy Crudup, que tenta dar camadas para o seu personagem sem sucesso, consegue salvar a série do desastre total -- junto com outros atores de peso ou que já fizeram outros trabalhos interessantes como Karl Glusman (Love) e Melanie Liburd (Game of Thrones).

Por incrível que pareça, porém, a pessoa que afunda a série no começo é a pessoa que a salva do afogamento: Naomi Watts. Apesar de não melhorar da apatia na produção toda, a atriz consegue desenvolver as camadas de Jean, que se tem uma transformação em seus últimos momentos da série, despertando uma pequena (bem pequena) fagulha de interesse para uma possível segunda temporada. De resto, mais nada: últimos episódios se tornam confuso e tão chato quanto o resto de Gypsy.

E quando o décimo capítulo encerra, um gosto amargo vem à boca. Afinal, a série tinha um grande potencial. A ideia era boa, os atores foram bem escolhidos e até a atmosfera criada tinha credencial para tornar a série atraente. Mas não deu certo. Parece uma ideia jogada no lixo, sem aproveitar nada. Pode ser amadorismo da criadora, Lisa Rubin, que nunca fez mais nada na televisão, ou confusão na hora de alinhar roteiro com os cinco diretores. Não sei. Mas o resultado foi negativo, apenas com as certezas de que eu deveria ter escutado as críticas.

Obs.: A abertura é péssima, levando quase dois minutos. O espectador começa a trama já cansado, graças à música arrastada. Difícil ver uma produção que já erra nos primeiros minutos.