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  • Matheus Mans

Crítica: 'Ordem na Casa', série da Netflix com Marie Kondo, é divertimento letárgico


A japonesa Marie Kondo se tornou um fenômeno. Com um método de organização próprio, ela conseguiu vender milhões de livros ao redor do mundo ensinando as suas técnicas, que vão desde maneiras de dobrar roupas até um passo-a-passo para organizar a casa. É um conteúdo interessante e que tem uma ampla parcela de pessoas interessadas em descobrir detalhes -- é claro, senão não teria vendido tantos livros. E agora, a consultora oriental sai das páginas dos livros e ganha um reality show pra chamar de seu na Netflix: é Ordem na Casa, série original do streaming com 8 episódios.

A ideia é básica. Como se estivesse indo consultar alguns de seus clientes, Marie Kondo visita casas nos Estados Unidos e dá conselhos de organização -- a maioria delas, é claro, está num absoluto caos. A partir daí, cria-se uma rotina baseada no método de Kondo e o reality show, como qualquer bom programa do gênero, vai acompanhando o progresso da família em questão. Kondo, enquanto isso, aparece de maneira esporádica para dar novos direcionamentos e novas dicas para os donos da casa. É, de fato, uma consultoria gravada e que, de alguma forma, acaba se tornando um programa de TV.

Há conteúdo interessante ali, principalmente para os que já se sentem atraídos pelo método de Marie Kondo. A limpeza na casa das pessoas instiga o espectador a fazer a mesma coisa no seu lar, no seu trabalho ou em qualquer lugar que seja. Alguns dos episódios, aliás, são mais interessantes nesse aspecto -- o primeiro episódio, do casal com filhos, é fofo e mostra como uma boa organização impacta na vida das pessoas. Também, em alguns casos, pode surgir uma vontade genuína de ler os livros de Kondo para entender melhor seus métodos, suas dicas e suas orientações para a organização.

No entanto, apesar do conteúdo ser atrativo, Ordem na Casa falha como programa de tevê propriamente dito. Não há ritmo na edição, muito prejudicada pelo fato da consultora oriental não falar inglês. A comunicação dela com as famílias acaba ocorrendo através de uma assessora, que fica sobrando na maioria das situações. É estranho e tiro a cadência do programa. Talvez pela limitação linguística, Kondo também, não consegue entregar bons momentos na tela, como seria esperado. Ela está sempre sorrindo, sendo simpática, mas agrega pouco quando está na casa de famílias.

O entretenimento geral com a série, então, acaba se tornando letárgico, quase que em doses moderadas. Ele surge aqui e acolá, junto com a vontade de aprender o método de organização, mas fica por isso mesmo. Grande parte da produção, então, acaba derivando em momentos de vácuo, no qual os familiares estão tentando pôr ordem na vida ou que Marie Kondo está esperando uma tradução ocorrer -- e vice-e-versa. Faltou maior expertise na hora de preparar o programa para ser lançado. Para quem não tem muito interesse no método de organização, será um entretenimento fraco e vazio.

Ordem na Casa é um reality show que faz sentido para os que gostam dos livros de Marie Kondo e querem ver as orientações da consultora japonesa na prática. As famílias participantes do programa são bem escolhidas, possui várias passagens divertidas e a especialista em organização é uma simpatia só. Mas há vazio narrativos, há clara falta de ritmo na edição, há prejuízos pela falta de uma melhor comunicação entre participantes e Kondo. É um reality interessante, mas que pouco serve de diversão ou de entretenimento. É apenas a versão "ao vivo" de seus livros. Faz sentido só pra alguns.