• Matheus Mans

Crítica: 'Queer Eye', da Netflix, continua divertida e emocionante em nova temporada


Confesso que não dava nada pela série Queer Eye, da Netflix, que ganhou sua primeira temporada no começo deste ano. Nunca fui fã de produções como Esquadrão da Moda ou, até mesmo, dos episódios originais da série, exibidos pelos idos de 2005. Mas me surpreendi: a primeira temporada de Queer Eye é um sopro de diversão e espontaneidade. E a segunda leva de episódios, lançada em junho, dá continuidade à isso.

Para quem não sabe, uma breve contextualização: Queer Eye é um reality show apresentado por cinco rapaz gays -- o que dá o nome à série. Cada um com um tipo de especialização (cabelo, roupas, comida, casa e comportamento), eles ajudam pessoas, geralmente homens héteros, a mudar o estilo de vida e a enxergar o mundo com outros olhos. Ou seja: além de um programa de renovação, Queer Eye rompe preconceitos e barreiras.

A primeira temporada acerta em praticamente tudo. O quinteto de apresentadores tem uma sinergia forte e as coisas fluem na tela, dando a leveza necessária à atração. A escolha dos "transformados" também é bem feita, permitindo que a série emocione nos momentos certos -- o episódio do corpo de bombeiros e o primeiro de todos são fantásticos. E assim, Queer Eye dosa emoção, diversão e, até mesmo, informação.

A segunda temporada, que chega alguns meses depois da primeira, continua com a mesma dinâmica: oito episódios, sem exageros, mostram a transformação de tipos bem distintos de pessoas. Dessa vez, tem "pai de família", tem uma mulher do interior americano, tem um homem transexual. A diversidade transparece mais e deixa a série mais interessante.

Os "cinco fabulosos" também continuam acertando em cheio e contam, inclusive, com algumas melhorias em cena. Anthoni, que cuida da gastronomia, é o mais simpático em cena, ainda que erre a mão na participação de um episódio ou outro -- principalmente do pai mexicano. E Jonathan, que exagerava um pouco no estrelismo da primeira leva de episódios, está um pouco mais discreto e melhorando a dinâmica com os outros quatro.

Karamo, Bobby e Tan continuam precisos, divertidos e com bons momentos na tela.

Algumas pequenas mudanças também deram mais ritmo. Levar participantes ao QG do quinteto quebra uma barreira de distanciamento que não tinha motivo de existir e a diminuição da participação de parentes durante a transformação, em alguns casos, faz com que a edição fique mais ágil e interessante. É gostoso de assistir, rápido de consumir.

Assim, a segunda temporada de Queer Eye mostra que esse é um dos programas mais interessantes para entretenimento dos últimos tempos. Consegue transitar entre humor e emoção num piscar de olhos, mas sem deixar a história artificial. Consegue ser ágil ao mesmo tempo que traz informação à tela e quebra barreiras. E, principalmente, não exagera na dose de episódios, nem da duração. É tudo no ponto. Vida longa à Queer Eye. Merece.

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