• Michelly Cruz

Crítica: ‘Slender Man: Pesadelo Sem Rosto’ se rende aos clichês e não convence


O terror Slender Man: Pesadelo Sem Rosto, do diretor Sylvain White (Os Perdedores), estreou na última quinta, 23, nos cinemas brasileiros prometendo ser a grande estreia da semana. No entanto, o grande apanhado de clichês e atuações que estão longe de convencer, beiram à decepção.

Antecedentes

O longa é baseado numa espécie de lenda urbana criada num fórum de discussão em 2009. Slender Man seria uma figura vestida de preto, esguia e sem rosto, responsável por fazer pessoas desaparecem ou serem levadas à insanidade.

Tudo não deveria passar disso, um personagem criado e fadado a permanecer na ficção. Entretanto, um caso de tentativa de assassinato, supostamente um sacrifício feito em nome do Slender Man, chamou a atenção e reavivou a lenda. As adolescentes Morgan Geyser e Anissa Weier atraíram e esfaquearam uma colega de classe por 19 vezes em meio à uma floresta na cidade de Waukesha, no estado de Wisconsin (EUA), em 2014. O caso brutal, que milagrosamente não resultou em morte, pode ser conferido no documentário Cuidado com o Slenderman, lançado pela HBO em 2016.

A ambição que resultou em fracasso

O filme em si começa como tantos outros: quatro amigas decidem brincar com forças sobrenaturais, invocando o chamado Slender Man através de um vídeo na internet. A partir daí, Wren (Joey King), Hallie (Julia Goldani Telles), Chloe (Jaz Sinclair) e Katie (Annalise Basso) passam a ter pesadelos constantes com a criatura.

Se a princípio as adolescentes preferem acreditar que aquilo não passa de imaginação, logo descobrem que cometeram um erro. Quando Katie desaparece dias depois da invocação, as três amigas restantes decidem contatar o Slender Man para trazê-la de volta. O plano falha e, claro, as coisas só começam a fugir mais e mais do controle.

Até aí tudo bem, o filme parece mesmo um desses thrillers psicológicos que, apesar de não acrescentarem muito ao gênero, pelo menos servem como bom entretenimento. O problema é que ele se leva a sério demais e, na ambição de inovar nos efeitos especiais e fotografia, acaba exagerando, fazendo a estética parecer forçada, quase mal feita. A câmera na mão tão marcante em Bruxa de Blair, por exemplo, é uma referência altamente utilizada, porém sem o mesmo efeito.

O roteiro de David Birke (Elle), por sua vez, é o grande ponto a ser discutido aqui: a história, além de querer assustar, não parece ter outro propósito claro. As protagonistas são superficialmente abordadas e os diálogos são os mais previsíveis. Duas das personagens, aliás, servem apenas para aumentar a tensão, sendo praticamente descartadas na metade do filme. Quer coisa mais clichê que um amigo ir desaparecendo depois do outro?

A ambientação do filme e as atuações também não são das melhores. Se as personagens interpretadas por Annalise Basso e Jaz Sinclair vão sendo gradativamente postas de lado, as de Joey King e Julia Goldani Telles não fazem jus ao tempo que têm em cena. King até tem um momento de destaque na melhor cena do filme, passada numa biblioteca, mas depois o filme volta a ser mais do mesmo, decepcionando logo quando parecia prestes a decolar.

Nem mesmo o próprio Slender Man recebe o devido destaque. O roteiro não fornece grandes explicações a respeito da criatura e suas aparições e, quando ocorrem, são tão bruscas que nem temos tempo de ir alimentando o medo através do suspense.

O final, não surpreendentemente, é igual ao restante do filme: exceto por um ou outro jump scare, não consegue formar uma atmosfera convincente, capaz de envolver quem assiste.

Enfim, esse é um daqueles filmes para quem tem o coração fraco e gosto não muito exigente, e não para os reais fãs do gênero.