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  • Matheus Mans

Crítica: 'Sr. Bachmann e Seus Alunos' é filme longuíssimo, mas com propósito


Confesso que quando vi a duração do longa-metragem alemão Sr. Bachmann e Seus Alunos, passando as 3h30, me deu certo desânimo. São raros os casos em que durações tão longas assim são justificáveis — para ficarmos em exemplos da Mostra, vale lembrar da pérola City Hall e suas monumentais 4h30. No entanto, por incrível que pareça, Sr. Bachmann quase se justifica.


Dirigido por Maria Speth (Levando a Vida), o longa-metragem conta a história do tal Sr. Bachmann, um professor de ensino fundamental na Alemanha que dá aulas, principalmente, para estrangeiros e filhos de estrangeiros, sendo alguns deles inclusive refugiados. Há uma diversidade impressionante apenas naquela sala. Como ensinar para todos igualmente?


A partir disso, ao longo das 3h30, Speth tem um tema em mente, que não é o sr. Bachmann em si, mas sim a empatia. O professor, que se vale de vários artifícios para ensinar essas pessoas que geralmente chegam em sua sala sem falar uma palavra de alemão, vai trazendo artes, música e afins para fazer com que as crianças e pré-adolescentes entendam língua e cultura.

Vamos entrando, de maneira lenta e convidativa, na rotina de Bachmann e de seus alunos. Entendemos as dificuldades de alguns, a relação do mestre com outros. É tocante, por exemplo, quando o professor descobre que uma aluna dedicada vai embora da cidade. Sentimos, assim que Bachmann murcha na cadeira, toda aquela frustração, dor. É um sentimento de tristeza.


E isso só acontece por conta do mergulho profundo que Speth promove. Não são exibidas apenas cenas rápidas do que está rolando na escola e na vida de Bachmann e dos alunos, mas sim há sequências longas (e necessárias) nas aulas lecionadas pelo alemão. Sr. Bachmann e Seus Alunos ainda traz lições de História e cidadania — o motivo do nome dele é fortíssimo.


No final, fica a sensação de que o longa-metragem poderia ter um tempinho a menos, já que se torna cansativo lá pelo seu quarto final. No entanto, a proposta da cineasta faz sentido. É preciso de tempo e de um mergulho profundo para que a empatia funcione. Isso vale não só para o Sr. Bachmann, essa figura extraordinária, como também para nós, assistindo do outro lado da tela.


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