• Matheus Mans

Crítica: 'Vidrados' é criativo reality show da Netflix


Geralmente, reality shows apostam sempre na mesma fórmula de trazer conflitos reais para um grupo bem específico de pessoas. Pode ser de cozinheiros (MasterChef), anônimos que buscam fama e dinheiro (Big Brother) e até donos de hotéis (Instant Hotel). No entanto, agora, a Netflix acaba de lançar um reality que vai num sentido bem diferente -- quase sem intrigas e com um grupo de participantes pouco usual. É o bom Vidrados, competição de 10 episódios que reúne um diverso grupo artistas vidreiros.

A ideia central do programa, que tem uma média de 25 minutos cada episódio, é mostrar o desenvolvimento de trabalhos em vidro de acordo com a temática proposta. Há desafios envolvendo plantas, utensílios de cozinha, memórias, pop art e decantadores de vinho. No entanto, mais do que fazer utensílios banais, os jurados e o apresentador Nick Uhas buscam criações que fujam do lugar-comum. Coisas banais são desacreditadas pelo programa e, geralmente, participantes assim não chegam longe.

Falando nos participantes, aliás, vale destacar a boa seleção. Com exceção de um ou dois, os competidores do programa mostram uma qualidade altíssima com o vidro e fazem objetos de cair o queixo -- é inacreditável, principalmente, algumas coisas produzidas no episódio da planta, outro de movimentos e, por fim, do pop art. São coisas que surgem daquela massa quente, se transformam em vidro e deixam qualquer um incrédulo. É uma arte pouco compreendida e que merece essa exposição mais intensa.

No entanto, há de se chamar a atenção para um problema: Vidrados tem uma edição rápida demais. Apenas 25 minutos por episódio é pouquíssimo tempo para mostrar todo processo de design, desenvolvimento e, por fim, explicação de cada peça. Os primeiros episódios, principalmente, são decepcionantes -- alguns dos participantes nem conseguem ao menos explicar o que pensaram com suas peças. Dez minutos a mais já ajudaria o programa a ter um pouco mais de complexidade na edição e no formato.

Além disso, é preciso ter algumas regras um pouco mais claras. MasterChef, por exemplo, deixa claro que o histórico do competidor não conta. O que vale é o que foi feito no episódio em si. Já O Aprendiz, por outro lado, faz análises completas e do histórico do participante. Aqui, em Vidrados, não há essa delimitação. Por vezes, os jurados sabem que um forte participante foi pior naquele episódio e merece ser eliminado. Mas, aí, acabam caindo em cima de um mais fraco ou, pior ainda, decidem não fazer eliminação.

Numa próxima temporada, precisam deixar isso claro. Não importa se levam em conta o histórico ou o desempenho único do episódio. Não dá pra parecer que é proteção.

Mas, de resto, Vidrados é um reality show divertido, ágil, dinâmico e que traz um tipo de arte pouco lembrado para o mainstream. Numa próxima temporada, a Netflix pode afinar esses problemas, bem aparentes, e torná-lo uma atrativa produção do streaming.

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