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  • Foto do escritorMatheus Mans

"É um filme atemporal", resume diretor de 'Depois de Ser Cinza'


Caetano Veloso já avisava que o tempo é um "compositor de destinos". É, afinal, implacável, duro, resistente -- e está sempre ali, brincando com nossos caminhos. Se o tempo já foi música, agora também é filme. Como? Com Depois de Ser Cinza, singelo e emocionante filme brasileiro que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 3. Parece pequeno, à primeira vista, mas logo o filme vai se revelando: não é só um filme sobre relacionamentos, mas sobre como passamos por eles.


O longa-metragem, afinal, é banhado em tempo: se passa em três momentos distintos, com um roteiro todo fragmentado, e que mostra como um homem (Raul, interpretado por João Campos) atravessou três diferentes relacionamentos. São mulheres bem distintas (interpretadas por Elisa Volpatto, Branca Messina e Silvia Lourenço) e que também apresentam diferentes comportamentos desse protagonista, tão volátil e que vai se modificando ao longo da história.


"É um filme atemporal. Trouxe questões que estão presentes, como a transformação pessoal de cada personagem, as mudanças de cada um e das relações líquidas. O tempo é uma matéria-prima que não se define para absolutamente mais nada. Ao se tratar de uma desconstrução temporal, também tá falando nisso", contextualiza o diretor Eduardo Wannmacher ao Esquina.


Nos bastidores, a história também tomou um tempo próprio para si. Leo Garcia, o roteirista do longa, surgiu com a primeira versão da história há 15 anos, no longínquo 2008. Foi nessa época também que Eduardo se juntou ao projeto e, surpreendentemente, também Silva Lourenço. Três anos depois, gravaram um primeiro teaser do filme para participação em um edital. Mas lá se foram mais seis anos até a gravação do longa e, agora, mais seis anos para o seu lançamento.

"Os personagens amadureceram com a gente. Quando nos chamaram [Branca, Elisa e Silvia] para participarmos do filme, nós éramos meninas. Aí a gente envelheceu. O Eduardo falou que faria mesmo com todo mundo mais velho, porque as personagens envelheceram também", diz Silvia. "Hoje, a gente faria outro filme, mas o tema tá de pé. Se a gente fizesse o filme hoje, seria uma história ainda mais densa. Mérito do Leo, que construiu uma estrutura à prova do tempo".


O mundo aqui do lado de fora, é claro, não está imune ao tempo -- João Campos já mostra alguns cabelos e fios de barba brancos na entrevista por vídeo, enquanto no filme não há nem sinal. "É um filme extremamente humano, sobre personagens e pessoas que são imperfeitos, com contradições, erros, buscas. São personagens que estão em movimento", contextualiza o ator também para o Esquina. "Isso não se perde no tempo. O aspecto humano não envelhece. É bom olhar para o filme e seguir nos identificando, mesmo a gente sendo, hoje, diferente".


Uma história feminina com olhar masculino


Um ponto central em Depois de Ser Cinza, que merece atenção e debate, é que apesar da história acompanhar continuadamente Raul, ele não fala exatamente sobre ele. Sim, é o personagem que está se transformando na tela, mas são as personagens femininas que tomam conta da história: elas que movem Raul, que por vezes parece estático. Elas que o transformam.


Só que há um problema. Não só o filme é dirigido por um homem, mas também roteirizado e produzido por homens. Como resolver isso? "Esse desafio nasceu junto com o nascimento do filme", diz Eduardo. "E aí o tempo ajudou a amadurecer a história. Nuances foram mudando. A gente chega em um momento de contato com as atrizes, que começam a transformar as suas personagens e a interferir na história. Era crucial que o universo feminina entrasse na história".

 

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