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  • Matheus Mans

Temporada de 'Game of Thrones' começa lenta, mas com boas promessas


* Este texto contém spoilers do primeiro episódio da oitava temporada de 'Game of Thrones'.

O assunto, nas últimas semanas, não era outro: o início da nova, e última, temporada de Game Of Thrones. Após sete temporadas interessantes, que mexeram com os ânimos da audiência formada por mais de 20 milhões de pessoas. No entanto, o primeiro episódio da oitava temporada, exibida na noite deste domingo, 14, teve gosto agridoce no paladar da maioria dos fãs. Não foi ruim. Longe disso, na verdade. Mas quem esperava um começo retumbante, colocando o pé na porta, acabou se deparando com um episódio estratégico. Os peões foram postos na mesa. A ação está se avizinhando.

Dando continuidade ao tom adotado na sétima temporada, o episódio se dedicou, quase que integralmente, a juntar os principais personagens. Jon Snow e Daenerys Targaryen finalmente chegaram com seu exército em Winterfell. Lá, se depararam com Bran, Sansa e Arya -- completando o clã dos Stark. Isso sem falar de Tyrion, que finalmente reencontrou Sansa, mas ficou apagado na história em geral. Outros foram periféricos.

O episódio foi quase um movimento de xadrez, no qual o jogador posiciona as peças para a ação que virá logo a seguir. Os roteiristas foram pacientes e construíram essa narrativa, que é chata para o espectador, mas necessária para a trama. No entanto, pareceu lenta demais. Dá um medo, lá no fundo, da temporada acabar seguindo o que foi visto na sétima temporada: muito blá-blá-blá para história e ação de menos. Para penúltima temporada, isso é aceitável. Mas para a última? Aí fica complicado demais.

Ainda assim, aspectos técnicos continuam a se sobressair. Os dragões são maravilhosamente bem feitos, ainda que tenham participado de cenas toscas demais -- Jon Snow e Daenerys passeando felizes, montados nas feras? Sério?. Além disso, os roteiristas tiveram uma sacada genial: usaram a trama como espelho do primeiro episódio da primeira temporada. Começa com uma comitiva, pessoas se conhecem, acordos são firmados. E, ainda por cima, termina com um encontro de Bran e Jaime.

Se o restante da temporada seguir o mesmo espírito da primeira, já sabemos que o resultado será extremamente positivo -- será que uma cabeça vai rolar também?. A ação deve começar lá pelo terceiro episódio, elevando o nível desta temporada. É esperado, também, que Tyrion tenha mais espaço e não seja, novamente, jogado de lado injustamente. A torcida também persiste para que os White Walkers, quem sabe, apareçam no próximo. Neste aqui vimos só indícios. O público quer mais do que isso.

Por fim, foi interessante a revelação feita por Sam à Jon Snow perto do final. Deu um gás no episódio. Afinal, ainda que a movimentação política e geográfica seja importante para os personagens, espera-se mais do capítulo que inicia a jornada derradeira da história de George R. R. Martin. Mais sangue, mais trevas, mais inverno, mais mortes -- neste primeiro, só duas mortes de humanos. É pouco. Longe da essência da série. Mas a torcida é para que, mais do que apenas a estrutura do primeiro episódio, este oitava temporada espelhe a magia da primeira. E que não fique na chatice das duas últimas.