Crítica: 'As Golpistas' é filme intenso, colorido e muito divertido

25/11/2019

Já faz um tempo que estúdios estão tentando emplacar um filme com girl power, reunindo mulheres poderosas, fortes e que representem movimentos sociais urgentes e necessários. No entanto, as coisas não estão tão positivas. Oito Mulheres e um Segredo é esquecível, As Panteras é fraco e Rainhas do Crime é uma bagunça do início ao fim. No entanto, agora surge um sopro de esperança com o ótimo As Golpistas.

 

Fincado num lugar entre o mediano A Grande Aposta, o cult Showgirls e o genial O Lobo de Wall Street, este longa-metragem de Lorene Scafaria (Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo) se debruça sobre a história real do grupo de strippers que, após a crise financeira de 2008, sai por aí aplicando golpes em empresários e investidores em busca de uma boa noitada. Drogas, dinheiro e itens de luxo rolam solto entre as integrantes.

 

Quem lidera o grupo é a hipnotizante Ramona (Jennifer Lopez), mas a protagonista de fato do longa-metragem é Destiny (Constance Wu). Amigas inseparáveis, elas vão conquistando seu espaço na cena stripper e garantindo dinheiro em cima de golpes. No grupo, ainda está a divertida Annabelle (Lili Reinhart), a irreverente Mecedes (Keke Palmer) e uma série de outras garotas que vêm e vão, somem e reparecem na trama.

Scafaria acerta ao fazer com que o filme se transforme de acordo com a trama. Começa sexy e insinuante, com cenas quentes protagonizadas por uma excelente Jennifer Lopez, e aos poucos vai apresentando aspectos sociais e familiares daquelas pessoas ali, se pendurando em pole dances, fazendo apresentações para homens engravatados e buscando ganhar um bom, mas suado dinheiro. É interessante ver essa transformação.

 

No entanto, há um tom colorido e divertido que percorre o filme inteiro. Ainda que haja alguns momentos mais tensos, e alguns bem tristes, o tom pra cima é geral. As golpistas aplicam suas trapaças, se ajudam, se entendem. A sororidade percorre a trama e dá um tom atual interessantíssimo. As atuações de J-Lo e Constance Wu também ajuda a dar o clima -- ambas com fortes chances de concorrer ao Oscar 2020.

 

Aliás, falando em atuações, vale destacar as excelentes performances das coadjuvantes Lili Reinhart (Riverdale), Keke Palmer (Pimp) e uma surpreendente Cardi B.

 

O único problema é que o filme se alonga demais. Chega determinado momento que fica evidente a falta de assunto. Quinze minutos a menos ajudariam muito a enxugar a trama e a fazer com o filme transcorresse de maneira mais natural. Vale ressaltar, também, que por pouco As Golpistas não se torna ausente de problematizações. Se não fosse por uma fala final de J-Lo, o longa-metragem não teria voz ativa. E isso seria muito ruim.

 

Mas, no geral, As Golpistas é um filmão. Divertido, intenso, colorido, importante. Consegue fazer algo que As PanterasAs ViúvasRainhas do Crime Oito Mulheres e um Segredo falharam miseravelmente. Traz girl power com uma trama redonda, repleta de simbolismos, grandes atuações e cenas de tirar o fôlego. É bom ficar de olho na carreira de todas as atrizes e, principalmente, de Scafaria. Trabalho muito promissor. Filmaço.

 

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