Crítica: 'Exorcismos e Demônios' é potencial mal trabalhado

20/04/2018

Não tem outro jeito pra dizer isso: Exorcismos e Demônios é realmente péssimo. É um exemplo claro de como as tramas sobrenaturais estão desgastadas hoje em dia – e, que se o cinema pretende assustar de alguma forma o telespectador, alguém precisa sair do clichê e criar algo novo. A trama tem potencial – e isso não se pode negar -, mas que acaba se perdendo num emaranhado de jumpscares previsíveis e de elementos interessantes, porém absurdamente mal trabalhados.

 

A história se passa no interior da Romênia, numa cidadezinha chamada Tanacu. O clima tenso e misterioso, de uma região e de uma cultura distante da maioria de nós faz com que o telespectador se envolva e compre a história do filme, inicialmente. Nessa cidade, um padre é condenado a anos de prisão depois da morte de uma freira durante um exorcismo. As notícias se espalham por diversos noticiários de todo o mundo e despertam um interesse numa jornalista americana cética, Nicole Rawlins (Sophie Cookson, de Kingsman) que então decide desvendar o enigma: será que esse padre realmente matou uma jovem freira mentalmente perturbada ou foi incapaz de vencer uma batalha contra as forças demoníacas que se apoderavam dela?

 

O roteiro, por ser de Chad e Carey Hayes (de Invocação do Mal) tinha chances de ser o grande ponto alto. Mas, no fim, não chegou a lugar algum. Em Invocação do Mal, o roteiro foi muito bem estruturado, por que mesmo com uma história não muito inovadora, ele ainda assim conseguiu segurar bem o telespectador e trabalhar cuidadosamente cada elemento, para fomentar o medo em cada pessoa que passasse pela sala de cinema. Por conta disso, eu não esperava nada menos de Exorcismos e Demônios.

O filme tinha uma trama e um cenário muito mais interessantes; entretanto, nenhum dos elementos é explorado de forma digna, o que faz com o que filme fique entediante. O exemplo mais forte, de má utilização de aspectos potenciais do longa, é a clima do desconhecido: a viagem para interior rural e religioso de um país no leste europeu dá muito medo. A cidade tem rituais estranhos, um baile de máscaras bizarro e os locais do lugar causam muito desconforto com seus olhares receosos. Isso tem tudo para dar medo. Mas como dito anteriormente, é tudo trabalhado de forma rasa, sem nenhum aprofundamento. Então tudo não passa de uma história chata – que se arrasta a cada novo aspecto da investigação da jornalista.

 

Outra coisa que me incomodou profundamente: as críticas cristãs feitas ao longo da trama. É fato que muito filmes de exorcismos fazem uma certa “propaganda” da fé cristã, mas os motivos que fizeram com que a freira em questão fosse possuída eram praticamente ofensivos.

 

Tudo é meio igual aos filmes já conhecidos de exorcismo no cinema. Os famosos (e bastante comuns) flashbacks, que ilustram os episódios da possessão, estão presentes no filme; uma personagem principal com um ar arrogante, de determinação e ceticismo – mas com um passado sombrio, carregado de tragédias – que ao longo do filme começa a ver suas crenças na ciência sendo colocadas em prova, também. Ou seja: mais do mesmo.

 

Porém, alguns dos jogos de imagem e a fotografia do filme podem ser muito bem avaliados aqui – e essa é uma forte característica do diretor Xavier Gens, que dirigiu A Fronteira, um filme também visualmente bonito. Exorcismos e Demônios tem características visuais interessantes; entretanto, é entediante. E cá entre nós: um filme de terror pode ser tudo, mesmo entediante.

 

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