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  • Matheus Mans

Crítica: 'Acrimônia' é bom drama que se perde em final pastelão


Que grande vergonha é a o final de Acrimônia. Dirigido por Tyler Perry (da assombrosa franquia Madea), o longa-metragem se propõe a ser um grande debate sobre a figura abusiva de um marido (Lyriq Bent) sobre a esposa (Taraji P. Henson). Mas no final, o que era para ser um Corra! sobre relacionamentos, se torna uma produção risível, tosca e pastelão.

A história, como já adiantado, mostra a jornada matrimonial de Melinda (Henson, de Estrelas Além do Tempo) e Robert (Bent, de Regresso do Mal). Ela é dedicada, tem um dinheiro guardado fruto da herança da mãe e ama o marido. Ele, por sua vez, dedica todo o tempo do mundo para desenvolver uma bateria inovadora e, assim, ganhar rios de dinheiro.

A evolução do drama, inicialmente, surpreende. Perry, que já tinha arriscado no gênero com o mediano Uma Boa Ação, desenvolve bem a relação entre Melinda e Robert, fazendo com que o público sinta sentimentos genuínos sobre o casal. Uma virada de trama no quarto final também é bem colocada, gerando surpresa e dando frescor à história.

Durante toda a produção também há um quê de comédia, marca registrada de Tyler e que sempre mostra as caras em seus filmes. Parece que o absurdo da situação está sempre pronto para surgir, mas isso não acontece. É um recurso divertido por algum tempo, irritante por outro. Ficar nas entrelinhas tão longamente pode ser um tiro no pé.

Mas o que é um real tiro no pé do filme é a conclusão. Que pastelão! Difícil entender qual a proposta que Perry pensou com aquilo. Em determinado momento, até parece que o longa-metragem iria recorrer ao que Corra! fez tão bem, mesclando elementos surreais, com crítica social e humor. Mas não. É falta de bom gosto, falta de noção e falta de senso crítico.

A coisa só não é pior por conta de Taraji P. Henson. Enquanto Lyriq Bent apresenta uma interpretação bem comedida e sem grandes arroubos, Taraji é explosiva e convence com sua personagem -- ainda que haja algumas cenas despropositadas e sem nenhum sentido. Ela que segura a história na marra, que fica pronta para escapar de rumo a qualquer momento com o exagero de duração e as situações completamente absurdas.

Acrimônia, além do péssimo título, se perde num final pastelão, irrisório e sem propósito, ainda que a trama, como um todo, sejam bem intencionada e agrade com um drama forte, atual e contundente. Faltou um roteirista mais sofisticado para conseguir dar o tom que a história, em determinado momento, passou a exigir. Decepcionante.

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