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Crítica: 'Extermínio: O Templo dos Ossos' é aula de atuação de Ralph Fiennes

  • Foto do escritor: Matheus Mans
    Matheus Mans
  • há 20 minutos
  • 2 min de leitura

Interessantíssimo o que a Sony Pictures e os criadores Danny Boyle e Alex Garland estão fazendo com a franquia Extermínio -- ou, no inglês, 28 Years Later. A nova trilogia da franquia, que ganha um segundo capítulo nesta quinta-feira, 15, começou em 2025 com um filme maduro e intenso sobre luto e introspecção. Agora, sob a batuta da diretora Nia DaCosta (A Lenda de Candyman), Extermínio: O Templo dos Ossos fala de loucura e a tentativa de ser consciente em tempos em que o mundo está desabando.


Na trama, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) continua sobrevivendo em seu "templo de ossos" enquanto faz um descoberta potente envolvendo os "zumbis" que tomam conta do mundo. Enquanto isso, o encontro de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal (Jack O'Connell) se torna um pesadelo sanguinolento do qual ele não consegue escapar.



DaCosta, que caiu em certo descrédito por conta de seu trabalho na Marvel, volta a se mostrar a boa cineasta que é -- e como foi visto em A Lenda de Candyman, Little Woods e, mais recentemente, em Hedda. Aqui, ela se afasta um pouco do caos visual e estético de Boyle, que dirigiu o primeiro filme desta nova trilogia em 2025, e abraça um tom mais contido. A câmera ainda se move bastante, mas nunca para criar gags ou brincadeiras visuais. É para dar ritmo nessa história frenética que vai se revelando.


O grande acerto da cineasta e do roteiro, assinado por Garland, é colocar Ralph Fiennes no pedestal que merece. Dr. Kelson, o personagem do britânico, passa a ter uma importância dentro da história como o homem que não quer apenas aceitar o destino fatídico. Ele quer ideias, soluções, saídas. As coisas ficam ainda mais intensas quando Kelson bate de frente com Sir Jimmy Crystal (Jack O'Connell), o psicopata que surge nos minutos finais do filme anterior. O embate ganha ares quase sobrenaturais.


Uma cena envolvendo Fiennes, Iron Maiden e o templo de ossos é quase transcendental. O ator está pleno. O cenário todo ao redor, enquanto isso, não compete com ele, mas o joga pra cima, o coloca em uma prateleira mais alta. Fiennes brilha, rouba a cena, chama a atenção. E Extermínio: Templo de Ossos se torna seu palco.

Há uma sensação generalizada, durante a projeção, de que a história não anda pra frente. E realmente: se parar pra ver, o filme avança pouco depois do primeiro filme em termos de história e narrativa. As coisas andam um pouco em círculos. No entanto, é equivocado pensar que o longa-metragem está ali só para existir. Não: é a oportunidade de Garland e Boyle mudarem o centro de tensão. A maldade não existe só do lado dos zumbis, mas também dos humanos. E aliás, os zumbis ainda podem ser humanos!


É um novo ponto de partida para esse mundo vibrante criado há quase duas décadas, com novos olhares sobre os zumbis e como a sociedade se transforma. Ralph Fiennes brilha, rouba a atenção, mas a história ainda vibra. É um dos grandes filmes de 2026, que acaba de começar, e que deve aparecer em algumas listas de melhores do ano daqui alguns bons meses -- senão, aparece em melhores cenas de 2026, pelo menos.


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