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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'As Marvels' surpreende com bom filme, mesmo com várias inconsistências


Poucas vezes vi uma onda de ódio tão grande contra um filme (que acabou de estrear!) como o que está acontecendo com As Marvels, estreia desta quinta-feira, 9 de novembro. São vários os perfis (geralmente com "nerd" no título) detratando o filme como se fosse a bomba do século. Já adianto: não é. Todas essas reações precoces são frutos apenas de um machismo bobo que se propaga no meio há décadas. O fato é que o novo filme da Marvel Studios é bom e vale assistir.


Dirigido por Nia DaCosta (do excepcional A Lenda de Candyman), o longa-metragem conta a história de como Capitã Marvel (Brie Larson), Ms. Marvel (Iman Vellani) e Monica Rambeau (Teyonah Parris) se uniram em um momento em que mais uma ameaça intergaláctica dos Kree ronda a galáxia. Desta vez, Dar-Benn (Zawe Ashton), essa alienígena que quer sugar a energia vital de outros mundos para fazer com que seu planeta consiga enfim sobreviver. As três, então, precisam se defender enquanto defendem outros planetas. Obviamente, uma aventura cósmica.


Os principais problemas do filme falam mais sobre o estúdio do que sobre As Marvels. Pra começar, essa necessidade em explorar sempre mais e mais e mais o universo intergaláctico (pra não falar do multiverso, que felizmente não aparece aqui) e esquecendo das boas histórias que podem acontecer na Terra -- aproximando mais o filme do público. Também há toda essa necessidade em fazer um humor "cada vez mais Taika Waititi" e de ter vilões péssimos.


Péssimos, aliás, no sentido de ruins, fracos, chatos, sem vida. A tal Dar-Benn entra no hall nada glorioso de piores vilões da Marvel: não tem absolutamente nada de novo aqui, em uma história que se aglutina, novamente, ao redor de uma destruidora de mundos. Já deu, né, Marvel?

Para além disso, a cineasta consegue entregar um filme essencialmente divertido e que consegue se afastar, ao mesmo tempo, da seriedade e do humor exaustivo da “fórmula Marvel”. Ainda que tenham momentos que fariam Taika Waititi (de Thor: Amor e Trovão) dar gargalhadas e se orgulhar, As Marvels parece que se assume como um filme da Disney e transforma essa jornada em uma aventura espacial em algo mais leve e divertido do que poderia ser.


Muito disso nasce da química entre as protagonistas. Larson (oscarizada por O Quarto de Jack) tem sua presença diluída com a chegada dessas outras duas personagens e muito da aspereza da Capitã Marvel, tão criticada no filme anterior da personagem, some. Elas funcionam bem em conjunto e quase nunca saem de sintonia. Você pode até não torcer individualmente para cada uma delas, mas torce pelo coletivo, com cada uma delas mostrando personalidades bem distintas, mas que trazem coesão para o todo quando juntas. Dá vontade de ver mais delas.


Além disso, Nia DaCosta filma as cenas de ação maravilhosamente bem — as melhores desde Ultimato. Ainda que tenha problemas evidentes de efeitos especiais, algo que a Marvel está penando desde Viúva Negra, Nia conta com uma fluidez de câmera que deixa essas sequências mais empolgantes, salvas pelas boas coreografias. Uma sacada de fazer com que as personagens se alterem no espaço-tempo faz, também, com que As Marvels fique mais leve.


Também há indícios de ousadia em As Marvels — nada muito grandioso perto do que o cinema pode nos proporcionar, mas certamente um apontamento inesperado para o que a Marvel tem feito nos últimos anos. Há uma cena musical, por exemplo, que até causa certa vergonha alheia, e que deve ir muito mal com os fãs mais sisudos (e machistas, é claro) do estúdio, mas que é inesperadamente fresca e divertida apesar do figurino péssimo. Há, também, cenas dramáticas envolvendo luto, perda e família que ajudam a dar uma dimensão humana à narrativa.


Uma pena, porém, que o futuro da Marvel pareça cada vez mais sedimentado, dando voz aos fãs machistas e raivosos. Assim, precisamos falar da cena pós-crédito e sobre a última cena do filme. Não vamos dar spoilers, mas é preciso mostrar como são dois caminhos para a Marvel Studios seguir: um olhando para o futuro, com personagens e atores mais jovens; e outros olhando para o passado, tentando ressuscitar a empolgação do público com aparições de personagens que causam nostalgia. Conforme as coisas vão mal com essas novas escalações, fica a sensação de que esse segundo caminho será trilhado com cada vez mais certeza.

 

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