• Matheus Mans

Crítica: ‘Castlevania’, da Netflix, é rara adaptação dos games que deu certo


Você pode não gostar de videogame, mas já deve ter ouvido falar da clássica série de jogos Castlevania, que faz sucesso desde os tempos do NES e que ganhou várias continuações ao decorrer dos anos. Agora, porém, a história sobre a luta entre o Drácula e um jovem caçador de vampiros saiu dos cartuchos e foi direto para a Netflix, que adaptou a saga para uma série de animação de quatro episódios.

A trama é igual à história original dos videogames e deve fazer os nostálgicos suspirarem: começa com Lisa, esposa humana de Vlad Drácula Tepes, sendo acusada de bruxaria e queimada na fogueira. Ele, então, jura vingança com um exército de demônios. Ao mesmo tempo, o espectador vê a trajetória de Trevor Belmont, último na linhagem de uma família de caçadores de vampiros e que deve impedir o ataque de Vlad.

Com trama inspirada em Castlevania III e Symphony of the Night, a série da Netflix não cansa de fazer o espectador respirar nostalgia. O roteiro faz um bom trabalho ao aprofundar esta história, que apenas era pincelada nos jogos de videogame -- e que até causam certa “humanização” na figura do Conde Drácula, que antes era apenas uma figura maligna em busca de sangue e vingança.

Este ponto, aliás, é delicado: difícil terminar os quatro episódios sem sentir alguma coisa pelo Drácula. Além do motivo de sua vingança ser explicado, ele é tratado como um ser de emoções, que faz tudo pelo que sente e pelo amor. É quase passional, um romântico que faz tudo para vingar a memória da pessoa que amou -- ainda que ela tivesse uma opinião avessa à vingança. O espectador tem uma sensação divertida e cruel.

A série, enquanto isso, não economiza na violência gráfica: assim como vemos em animes como Akira, por exemplo, o sangue espirra na tela quando as criaturas atacam os cidadãos que se tornam alvo da ira de Drácula. Não há freios. São pessoas sendo esmagadas, cortadas. Ainda assim, vale ressaltar que ação e violência não é o foco da série, que prefere privilegiar a história e os diálogos.

O design da animação também está no ponto: respeita o que era visto na história original e usa de sombras e de uma palheta de cores vermelhas para compor cenas e situações entre as personagens. Com isso, cada cena tem ares de violência e suspense que deixam os espectadores ansiosos pelo que virá a seguir -- seja qual for o ponto que a série se apoia para desenrolar a trama.

Uma pena, porém, que a primeira temporada de Castlevania termine de maneira tão bruta, seca e sem qualquer tipo de conclusão. Ainda que o roteiro de Warren Ellis deixe claro o que irá acontecer, não há um arco final e tudo que foi apresentado na série da Netflix só poderá ser visto em 2018, quando a segunda temporada da produção chegar e o final da história for apresentado.

No entanto, quem assiste já pode ter certeza de que é possível fazer adaptações boas de produtos de videogames (alô, Assassin’s Creed!). Basta fazer uma produção série, coesa e que agrade todos os públicos -- seja os fãs de videogame ou quem só quer acompanhar uma boa história. E quem diria: Castlevania, uma série de animação, é a produção que pode mudar o paradigma deste mercado.

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