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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Direito de Viver' é um dos filmes mais absurdos de 2021


Geralmente, as críticas de cinema seguem um padrão bem similar: texto corrido, apresentação da sinopse, avaliações técnicas e por aí vai. Só que não dá para fazer o mesmo com O Direito de Viver, longa-metragem que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 7. O filme é um absurdo, uma vergonha. E, por isso, vamos listar os motivos para fugir dessa bomba no cinema.


1.. Primeiramente, a história é uma repleta bagunça. O filme, dirigido pela dupla estreante Cathy Allyn e Nick Loeb, se concentra na história da legalização do aborto nos Estados Unidos -- com foco no processo Roe vs. Wade, que ajudou a alavancar a permissão para interromper uma gravidez. Sem se ater aos fatos e com muita ficção no meio, O Direito de Viver não consegue se sustentar, com uma trama confusa, extremamente fantasiosa e que deturpa fatos e acontecimentos para se encaixar na mentalidade conservadora dos diretores e produtores.


2. Com exceção de Jon Voight, pai de Angelina Jolie que se tornou um radical conservador nos últimos anos, não há um único nome profissional no elenco. Todos transitam entre pequenos papéis, personagens coadjuvantes ou até mesmo a estreia nas telas. O motivo? Atores e atrizes desistiram do filme quando leram o roteiro, colocando a produção de O Direito de Viver em uma sinuca de bico. A atuação de Nick Loeb como o médico Dr. Bernard Nathanson é vergonhosa: há uma tentativa de fazer um personagem grandioso, mas recai apenas em momentos piegas.


3. O pior de tudo, porém, é a mensagem antissemita do longa-metragem -- talvez a maior propaganda nazista vista desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Afinal, o longa-metragem se concentra no embate entre um grupo de judeus à favor da liberação do aborto contra um grupo de católicos preocupados com o chamado "direito à vida". Acaba sendo uma dicotomia absolutamente vergonhosa, em que os judeus são vistos como um grupo que trabalho pela morte de crianças indefesas. A forma que os diretores vilanizam esses personagens, até mesmo com maquiagens mais pesadas e olhares congelados, chega a causar revolta. É um crime.


4. Percebe-se a completa falta de experiência dos diretores com cenas que quebram completamente a naturalidade de O Direito de Viver. Há uma sequência dos médicos judeus, que trabalham pró-aborto, em que cantam uma música celebrando a prática da interrupção da gravidez numa espécie de festa, confraternização. Essa música realmente existe, mas é totalmente impensável que ela seja cantada numa comemoração, como se fosse uma espécie de culto demoníaco. Todos sorrindo e celebrando ao falar sobre o feto sendo "arrancado do ventre".


5. A discussão sobre aborto é rasa como um pires. Não há profundidade em nada que é contado aqui. Fica claro, desde o primeiro momento de O Direito de Viver, que os cineastas estão preocupados apenas em promover uma espécie de lavagem cerebral sobre o que é e como nasceu o aborto e como foi implementado nos Estados Unidos -- há até uma cena envolvendo a Ku Klux Klan, uma professora idosa, uma cruz pegando fogo e criancinhas aprendendo os benefícios do aborto para, no final, o longa-metragem jogar do nada a informação de que 40% dos abortos envolvem afro-americanas. É propaganda pura e simples, das mais cruéis.


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