• Matheus Mans

Crítica: 'O Rei Leão' adapta clássico em espetáculo visual


Quando O Rei Leão estreou em 1994, o público percebeu que estava presenciando a estreia de um filme que ficaria marcado na memória e nas emoções das pessoas. Afinal, mais do que ter o selo de qualidade das animações da Disney, o longa-metragem conseguiu construir um ambiente propício com boas músicas, um visual deslumbrante e uma história shakespeariana rara de se ver em produções infantis. Ali, naqueles traços e no ambiente africano, havia muito pouco a ser alterado. Tudo parecia estar encaixado.

Agora, 25 anos depois, o estúdio volta a apostar na história com uma animação ultrarrealista. Nada de live action -- afinal, não há atores reais em cena. O que se vê aqui é o aprimoramento da técnica de criar digitalmente aspectos da vida real, da natureza. É uma forma pouco sutil da Disney mostrar seu poderio cinematográfico. O céu, com este filme, parece o limite. Mas será que isso basta para causar uma sensação parecida com a que foi sentida no original? Será que os efeitos provam a necessidade do novo longa?

Tudo isso é difícil de ser respondido. O novo O Rei Leão, afinal, é deslumbrante. O diretor Jon Favreau (o Happy de Vingadores e diretor de Mogli) parece ter colocado todo seu esforço -- e dinheiro da Disney -- para fazer com que o espetáculo fosse de abrir a boca e soltar, logo na primeira cena, um sonoro "uau". Os detalhes trazem um ultrarrealismo chocante e que chama a atenção. Ainda assim, porém, o filme passa longe de ser apenas um documentário do National Geographic encenado. Há um encanto escondido.

No entanto, apesar do deslumbre que se vê nas cenas digitalmente criadas, o resto do filme transita entre pontos positivos e negativos. Tudo parece ter dois lados no filme.

A história, por exemplo, é praticamente igual. O positivo positivo é que não há dúvidas de que O Rei Leão vai funcionar de maneira certeira para fãs da história, que sentirão aquela forte onda de nostalgia durante a projeção -- parecido com o que aconteceu em A Bela e a Fera, que praticamente repetiu enquadramentos e diálogos. No entanto, o lado negativo disso é que pessoas que apenas gostam ou admiram a animação de 1994 podem ficar entediadas e sentir que estão pagando para ver mais do mesmo. É, afinal, a grande discussão em torno dos live actions da Disney. São mesmo necessários?

Dessa maneira, este novo O Rei Leão se aproxima bem mais do que foi feito em Mogli e A Bela e a Fera do que em Aladdin ou Malévola, que trouxeram elementos originais.

A dublagem também apresenta prós e contras. Seth Rogen (Casal Improvável) como Pumba, Billy Eichner (Vizinhos 2) como Timão, John Oliver (Parque dos Sonhos) como Zazu, James Earl Jones (Star Wars) como Mufasa e Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) como Scar sabem trabalhar a voz de seus personagens e compensam a falta de emoção no semblante dos bichos -- parece que se lembraram de colocar sensações só do focinho ou do bico pra baixo. Eles dão as emoções necessárias.

Infelizmente, as duas únicas pequenas decepções estão na dupla de maior destaque do filme: Beyoncé como Nala e Donald Glover (Han Solo: Uma História Star Wars). Eles cantam muito bem, obviamente, e nisso não há problema. O problema é que a voz dos dois parece não encaixar com os personagens. Beyoncé, em alguns momentos, parece estar apenas lendo suas falas. Já Donald Glover está em descompasso com o que é visto na tela. Difícil saber se é erro de direção, dos atores ou dos dois. Mas algumas das cenas com Glover, como a emblemática canção de Hakuna Matata, ficaram estranhas.

Assim, em resumo, o novo O Rei Leão é um filme grandioso -- não é mágico, como a animação. Os efeitos visuais são estonteantes e, apesar de um errinho aqui e outro ali, deve faturar com tranquilidade o Oscar de Melhores Efeitos Especiais em 2020. A maioria das dublagens estão bem feitas, apesar dos protagonistas decepcionarem. E a história é aquilo que todo mundo conhece: o crescimento físico, espiritual e emocional de Simba. Vai emocionar os fãs mais aguerridos e os que não conhecem a história. E, é claro, vai voltar a trazer o debate: será que esses live actions são necessários? O fato é que a Disney deve estar feliz da vida. E vai continuar ganhando rios e rios de dinheiro.

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