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  • Matheus Mans

Crítica: 'Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro' é riso fácil


Danilo Gentilli fez uma estreia conturbada nos cinemas com o longa-metragem Como se Tornar o Pior Aluno da Escola, onde fazia vezes de ator, produtor e roteirista. Agora ele volta para as mesmas funções, e firmando mais uma parceria com o diretor Fabrício Bittar, para o terrir nacional Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 29. Mais explícito e exagerado do que o filme de estreia de Gentilli, o longa não tem medo de buscar riso e susto fáceis com uma direção sem inspiração, um trio principal de atores sem química e efeitos especiais sofríveis.

Os Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro -- que, a partir daqui, será chamado apenas de Exterminadores do Além para efeitos práticos -- conta a historia de um grupo de caça-fantasmas (Gentilli, Murilo Couto, Léo Lins e Dani Calabresa) que é chamado para expulsar a assombração da loira do banheiro (Pietra Quintela) de uma escola após os amigos Renato (Jean Paulo Campos) e Daniel (Matheus Ueta) a invocarem. O grupo ainda contará com a ajuda da professora Helena (Bárbara Bruno), do professor Renato (Antonio Tabet) e de um estranho e rígido diretor (Sikêra Jr.).

O roteiro, escrito por Bittar, Gentilli e André Catarinacho (Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola), é o principal calcanhar de Aquiles da produção -- e que salta aos olhos até para leigos. Por mais que seja interessante a ideia de resgatar um mito tipicamente brasileiro como a loira do banheiro, os meios que se usam para isso são rasos. Personagens vêm e vão sem grande explicação, como é o caso de Dani Calabresa e de Matheus Ueta (Carrossel). Este último, aliás, ressurge na trama de maneira vergonhosa e que parece não causar estranhamento em ninguém. Tira o espectador do filme.

Além disso, o longa falha em explorar o mito da assombração. Claro, não é esse o objetivo principal da produção -- que quer ser uma homenagem ao gore e aos clássicos do gênero, como Evil Dead. Mas, perto da conclusão, o trio de roteiristas tenta encaixar um drama desnecessário que, logo em seguida, sofre uma reviravolta artificial. Teria sido mais interessante trabalhar e desenvolver a personalidade do personagem em questão ao longo dos outros 100 minutos de projeção, que são usados apenas para gritos, piadas machistas e misógenas e muito, muito, muito sangue. Muito sangue.

Sobre os últimos aspectos ressaltados, vale destacar a direção pouco inspirada de Fabrício Bittar que, novamente, parece não saber entrar na mesma vibe do filme como seus outros integrantes -- além das constantes reclamações de ser um diretor que repete cenas até a exaustão. Ainda que tenha boas sacadas de referências, como também existe no roteiro, sua direção é pouco delicada, pouco criativa e pouco ousada. O diferencial fica apenas em cenas non sense para fazer adolescente rir, como quando fezes atacam o personagem de Digão Ribeiro (Ursinho) ou um feto é possuído.

O riso a qualquer custo, usando até piadas de abuso sexual e nome social como gancho; e o susto que tenta ser dado a todo momento, com dezenas de jump scares e música alta, acabam por incomodar ao invés de ser uma paródia dos filmes gore. Exagero não é legal.

Bittar, claramente, também não sabe dirigir o elenco. Murilo Couto, Gentilli e Léo Lins trabalham há muitos anos juntos, vindo desde Agora é Tarde, na Band, até o The Noite, no SBT. Mas, mesmo assim, a química é nula nas telas. Um parece apagar o outro. Só Murilo Couto parece um pouco mais esforçado. O mesmo vale pra Dani Calabresa, que tem uma participação frustrante. Ueta é fraquíssimo e diminui a qualidade do filme quando entra em cena. Quintela (As Aventuras de Poliana), Bárbara Bruno, Sikêra Jr. e Ratinho, porém, conseguem elevar um pouco o tom divertido e profissional do filme -- ainda que os dois últimos sejam apresentadores de TV, e não atores profissionais.

Talvez se Bittar e cia. tivessem oferecido um ambiente de gravação mais leve e tranquilo, Exterminadores do Além poderia ter um resultado mais agradável nesse sentido. Mas, como o elenco deixou claro na coletiva, o que não faltou foram momentos ruins.

Os Exterminadores do Além é um filme igualmente embaraçoso como seu antecessor espiritual, Como se Tornar o Pior Aluno da Escola. Roteiro e direção são pouco delicados e não há medo de forçar emoções ao máximo. Fica desconfortável e constrangedor. A falta de harmonia entre o elenco, coisa que existia no filme anterior, e a história estabanada e pouco divertida ajudam a fazer desse filme ainda mais chato e estranho. O que vale aqui, então, é a intenção de seus criadores em produzir algo "fora da caixinha" no cinema nacional, a inventividade de trazer boas participações especiais e algumas boas referências e sacadas de direção e roteiro. De resto, só sofrimento e vergonha.