• Matheus Mans

Crítica: ‘Todas as Razões para Esquecer’ é boa comédia romântica às avessas


Em 2009, o longa-metragem (500) Dias Com Ela inovou ao reverter todas as lógicas de uma comédia romântica tradicional. Ao invés de uma protagonista feminina, um rapaz perdido na vida. Ao invés do desenrolar feliz, uma tragédia cotidiana. Foi um sucesso do cinema cult e ainda é relembrado. Por isso, impossível não associar o longa de Joseph Gordon-Levitt com o novo lançamento do cinema nacional, o divertido e levemente original Todas as Razões para Esquecer.

Estrelado por Johnny Massaro (O Filme da Minha Vida) e Bianca Comparato (3%), Todas as Razões para Esquecer começa a acompanhar a jornada de Antônio (Massaro) a partir do momento em que ele vê seu relacionamento receber um ponto final de Sofia (Comparato). A partir daí, ele passará por todos os dilemas do homem moderno: ficará se lamentando do que não fez, procurará novas companhias no Tinder e, claro, terá recaídas com bebida e festas.

A partir daí, o diretor estreante Pedro Coutinho (que só tem o curta O Jogo no currículo) faz um trama de aceitação e descobrimento que reverbera em tramas de (500) Dias Com Ela, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Ela e filmes de Noah Baumbach e Woody Allen -- este último, principalmente, na questão de como é tratado o personagem. Ou seja: num primeiro momento, nada ali é muito original. O sentimento de que aquilo já foi visto reina na premissa.

No entanto, felizmente, Coutinho conta com boas ideias de roteiro. Ele não se furta a ficar apenas na superficialidade da modernidade líquida do romance. Ele consegue explorar uma grande quantidade de assuntos de maneira criativa, falando desde Tinder, passando por maconha e indo até Fluoxetina. Mesmo com uma ideia de comédia romântica às avessas que já foi usada em várias outras produções, o cineasta e co-roteirista consegue dar um bom tom.

Os atores também estão empenhados. Johnny Massaro, que sempre fala resmungando e “pra dentro”, consegue imprimir um bom ritmo ao seu personagem e, aliado com a direção competente de Coutinho, dá um ar cult e descolado para a situação. Bianca Comparato está bem, apesar de ser pouquíssimo aproveitada pelo roteiro -- de maneira proposital, visto que Massaro recebe todos os louros da história romântica. Regina Braga (A Lei do Amor) está divertida, ainda que viva situações implausíveis.

Assim, juntando as atuações, o bom visual de produção, o roteiro com lampejos criativos e uma direção competente, temos um bom filme. No entanto, como foi dito no início do texto, Todas as Razões para Esquecer lembra filmes demais, se tornando genérico e esquecível. Sem dúvida, por mais que você se divirta com os erros do personagem de Johnny Massaro, você acabará, após um tempo, esquecendo de todas suas particularidades e confundindo com outros filmes.

Ainda assim, boa incursão do cinema nacional na comédia romântica às avessas e boa estreia de Pedro Coutinho.

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