• Matheus Mans

Crítica: 'Toy Story 4' não é indispensável, mas emociona e diverte


Quando chegou aos cinemas em 2010, a animação Toy Story 3 parecia estar colocando um ponto final das sagas dos brinquedos liderados por Woody (Tom Hanks) e Buzz Lightyear (Tim Allen). Afinal, a história é emotiva, bem fechadinha e sem muita deixa pra continuações. No entanto, pouco tempo depois, a Disney surpreendeu ao afirmar que estava trabalhando numa sequência. E agora, prestes a chegar aos cinemas, já dá para dizer que Toy Story 4 não é indispensável. Mas, mesmo assim, faz rir e emociona à beça.

Dirigido por Josh Cooley (roteirista de Divertida Mente e estreante na direção), o novo longa dos brinquedos com vida mostra como eles estão na casa de Bonnie, a nova dona. Woody, ao contrário do que acontecia no quarto do Andy, é sempre deixado de lado e quase não vê mais propósito em sua existência como brinquedo. Até que a menina faz um brinquedo durante a aula de artes e acaba adicionando um novo integrante à turma. É o simpático Garfinho (Tony Hale), brinquedo feito de lixo e com questões existenciais.

O filme não tem a carga emocional de Toy Story 3 nem a leveza do primeiro e do segundo filmes. Aqui, os personagens já passaram por um desenvolvimento ao longo dos mais de 20 anos de existência da franquia e não dá para ter os mesmos propósitos de quando eram do pequeno Andy. Assim, os roteiristas Andrew Stanton (Procurando Dory) e Stephany Folsom acabam por tentar mesclar os ritmos e os gêneros que já permearam a saga. Há humor, a doses cavalares, aventura, ação e um drama particular.

E como linha condutora de tantos sentimentos, apostou-se na dedicação de Woody em fazer com que o Garfinho se integre ao grupo. É, em suma, um drama externo, que foge da pequenez do quarto de Andy ou Bonnie, e que lembra bastante o que foi feito em Procurando Dory, sequência do clássico Procurando Nemo. Aqui, leva-se os personagens para uma situação quase fora do controle, em que parece ter mais apreço em fazer fechamentos de arcos do que contar uma história bem feita e realizada.

Afinal, por mais que Toy Story 4 tenha boas sacadas de piadas, principalmente as que envolvem o Garfinho e uma pelúcia de unicórnio, a narrativa não é a das melhores. Há um vai-e-vêm nas situações que irrita. Por exemplo: Woody precisa cumprir com um certo objetivo. Quando ele consegue, desiste de tudo pra cumprir outro objetivo. Aí, ao fazer isso, aquele primeiro objetivo precisa ser refeito, já que foi largado no meio. E assim vai, ao longo de quase todos os 100 minutos. Irrita um pouco, se parar pra pensar.

Além disso, personagens queridos foram deixados de lado. Enquanto Toy Story 3 faz um fechamento digno para quase todos, este novo capítulo da franquia dos brinquedos deixa Rex, Slinky e os Aliens aparecendo em pouquíssimas cenas. Os soldadinhos e aquele pinguim com asma, por exemplo, não dão nem uma amostra de que existem nessa nova fase. É um pouco triste para fãs que acompanham essa franquia desde o primeiro filme. Deixaram de lado para trazer novos personagens que fazem o mesmo.

A única personagem que possui uma evolução notável e digna de nota é a pastora Betty. Ela passou por uma remodelagem interessantíssima e que traz modernidade para essa trama que, em partes, ainda funcionava com um pensamento-base da década de 1990.

O que faz com que o filme ganhe uma carga emocional fortíssima, e que acaba por elevar a qualidade de todo o restante, são os 15 minutos finais. A Pixar, numa decisão forte para a franquia, justifica a existência deste quarto capítulo. Mostra que, na verdade, Toy Story 3 fechou o arco do Andy. Agora, talvez, eles se dediquem a fechar os arcos restantes. Por isso, difícil não se emocionar, ainda que a conclusão da história de Andy seja mais humana, palpável e real. É uma continuação dispensável, apesar de tudo, mas que traz elementos que a tornam um acalento para os fãs dos personagens.

Vale destacar, também, o bom desenvolvimento do próprio Woody aqui -- que deve ter exigido um trabalho de voz incrível por parte de Hanks. A Pixar e seus roteiristas conseguiram trazer elementos humanos ao boneco como poucas vezes conseguiu. É incrível a habilidade deles em trazer essas emoções para brinquedos, peixes, carros. Isso sem falar do próprio Garfinho, que vai ganhar muitos corações pelo mundo todo.

Assim, Toy Story 4 é um filme que emociona, faz rir e traz um vislumbre de novidades que podem vir. De novo: não é indispensável e a franquia poderia ter terminado no terceiro capítulo. Ainda assim, vai fazer muita lágrima rolar no escuro do cinema, bons personagens vão se tornar queridinhos do público e, ao final, a boa impressão vai ficar, novamente, ao lado da Pixar e da Disney. Afinal, os personagens ainda são queridos. E quando a emoção mexe com eles, difícil não chegar do outro lado da telona.

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