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  • Tamires Lietti

Crítica: 'Why Women Kill' é drama digno de novela


Me permitam, por favor, começar essa review de trás pra frente. E já te digo o porquê: o mais forte motivo que tenho pra indicar a nova “dramédia” da CBS, Why Women Kill, está no final da série. Já vou explicar.


Quando penso em season finales ou series finales, conteúdos marcantes roubam espaço na minha mente. Já vi finais muito bem amarrados, perturbadores, emocionantes e surpreendentes. Mas acho que a telinha americana nunca viu uma montagem tão espetacular e inovadora quando a de Marc Cherry (de Desperate Housewives) para o finale de sua nova criação.


Em um take único de tirar o fôlego com transições ainda mais adventícias, todas as histórias do drama se cruzam em cômodos em comum. É lindo de ser ver e um prato cheio para os amantes da telinha. Já vou te explicar como chegamos até aí mas a dica está dada: fique até o final.


A série tem um começo cômico e divertido e te faz querer ver onde isso vai dar. Toda a história se passa em Pasadena e, mais especificamente, em uma única casa de luxo habitada por 3 casais diferentes em décadas subsequentes.


Lucy Liu (de Elementary) é Simone, uma social que comprou a casa em 1984 e luta para manter sua imagem uma vez que ela se depara com a realidade de um casamento fadado com um homem que se descobre gay. Ginnifer Goodwin (de Once Upon a Time) é Beth Ann, habitante de 1963, que descobre a traição do marido e decide levá-la de forma bem peculiar. E, num cenário mais atual, Kirby Howell-Baptiste (de Barry) é Taylor, compra a mansão em 2019 e vai morar com o marido, um ex-viciado em drogas que tenta desesperadamente retomar sua carreira de escritor. Há só um pequeno detalhe: eles estão em um casamento aberto.


Eu diria que, visto a principal proposta de drama “homemade” da série, é difícil sair daquilo que os canais americanos já estão saturados de. Mas Why Women Kill brinca com um tempo, num vaivém extremamente envolvente entre três décadas diferentes e três historias igualmente ímpares, sempre com um elo em comum. A proposta da série fica bem clara desde o início: estamos falando de mulheres que estão em maus lençóis com seus maridos.

Com um título curioso, Cherry nos implanta a ideia de que, por conta de uma união conturbada, essas espetaculares mulheres matarão seus maridos. Um layout interessante que tinha um potencial de ficar confuso e mal amarrado, principalmente a partir do momento que o espectador começa a perceber que a história não é tão rápida e direta assim. Em Why Women Kill, esse desenvolvimento funcionou perfeitamente. E surpreendeu, se vocês querem saber. Não é nada do que parece.


Fica implícito no início da série ou até mesmo pela forma que ela foi promovida e descrita antes de emplacar, que estamos falando de infidelidade. Mas na verdade, não estamos falando só de infidelidade. Há uma miríade de subplots em Why Women Kill. A série é uma jornada de perguntas e respostas para cada uma das 3 personagens principais e para nós, espectadores, envolvidos com cada uma delas. É um coquetel completo para digerir.


Me permitam fazer uma menção honrosa para a paleta de cores dos cenários, que é absolutamente excepcional. E olha que eu, particularmente, não costumo notar muito esse tipo de detalhe. Mas, dessa vez, tive impressão de que o colorir dos episódios foi meticulosamente pensado para cada história e carinhosamente desenhada para que as cores remetessem os tempos diferentes que temos acesso ao consumir cada drama particular dentro da trama. Dá para separar direitinho e identificar pelo tom do cenário de quem estamos falando. É um trabalho fotográfico incrível!


Eu até consigo ver algumas falhas na série, sim. Alguns personagens secundários se fazem desnecessários e tiram o foco dos já muito bem desenvolvido grupo principal. Mas aqui acho que não tinha como competir, mesmo: nada tiraria o brilho das mulheres habitantes da mansão em Pasadena. Liu, Goodwin e Baptiste são um trio imbatível.


Conforme o debut da série vai caminhando para seu season finale, alguns detalhes se tornam mais claros e eu, como expectadora, comecei a perceber que seria impossível terminar cada história com o que se vende no começo: mulheres matando seus maridos. E assim é. Why Women Kill entrega um final de primeira temporada perfeito com todas as curiosas e confusas perguntas sanadas de uma forma intrigante, com uma dose extra de adrenalina!


Minhas preces foram ouvidas e a série já foi renovada para a segunda temporada, que vem com o mesmo setting mas, dessa vez, como novas famílias, novas mulheres, novos dramas e, o mais importante: novos motivos para matar. O amarrar final da série é absolutamente glorioso.


Quando minha tela ficou preta e o último take foi cortada, me lembro de ter batido os punhos no meu colo como uma criança mimada. “Ah, quero a próxima AGORA”, pensei. Mas vou parar por aqui e segura a vontade de escrever cada detalhe para não dar maiores spoilers àqueles que ainda não conferiram minha nova queridinha. Uma pena ter que esperar pela próxima fall season para ver os próximos capítulos. Minha expectativas, depois de uma primeira temporada incrível, estão altíssimas.