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  • Matheus Mans

Disney precisa de criatividade para justificar remakes


A Bela e a Fera, de 1991, é um clássico absoluto. Primeira animação indicada ao Oscar de Melhor Filme, o desenho emocionou crianças e adultos com a história de uma camponesa e de uma assustadora criatura que se apaixonam. É um belo filme e que consegue sensibilizar qualquer um que o assista. No último mês, então, a Disney apostou novamente na história: no lugar dos traços delicados do desenho, a empresa colocou atores reais e grandiosos efeitos especiais.

A aposta da Disney não deu errado. O filme é lindo de assistir, quase todas músicas são bem feitas e as atuações são aceitáveis. Nas bilheterias, a película também não fez feio: com um mês em cartaz, arrecadou US$ 700 milhões, se tornando uma das maiores estreias da Disney com seus últimos remakes. No entanto, o novo filme de A Bela e a Fera esbarra em um problema grave e muito delicado: falta de inovação, criatividade e, principalmente, falta de originalidade.

Este problema é um medo antigo. Ele surgiu logo quando a Disney apresentou Malévola, primeira recriação de um de seus clássicos — neste caso, da Bela Adormecida. Foi tiro certo: ao invés da história da princesa, focou na vilã, trazendo frescor ao conto dos Irmãos Grimm. Sucesso de público e crítica, a bilheteria de US$ 1 bilhão. Foi fatal: a Disney se animou e os filmes inspirados em clássicos começaram a ser anunciados pela empresa, que via neste filão uma possibilidade de crescer.

Desde então, já lançou versões live action — como são chamados os filmes com atores — de Mogli, que deu frescor nas músicas e na interação com os animais; de Cinderela, que deixou de ser um musical; de Meu Amigo, o Dragão, que ganhou uma nova versão da história; e de Alice no País das Maravilhas, história que ganhou ares mais psicodélicos com a direção de Tim Burton.

Ou seja: todos trouxeram algo de novo para a história, algum tipo de frescor. Menos A Bela e a Fera. O filme, que tem Emma Watson no elenco, é uma grande homenagem ao clássico de 1991. São reproduções quase exatas da animação, sem nenhuma grande adição de trama ou de significado para a história. Alguns planos, até mesmo, são iguais ao que são vistos no filme de 1991.

Com isto, impossível não ter receio dos próximos filmes em live action que estão vindo por aí, como Dumbo, Mulan, Alladin e, até mesmo, O Rei Leão. Com certeza, todos vão assistir e a bilheteria vai ser estratosférica. Mas e daí? Uma trama igual, sem nenhuma mudança, não causa impacto. É apenas uma recriação do que já foi visto, um déjà vu. Pode até emocionar, como A Bela e a Fera, mas não muda nossa vida. A animação de 1991 vai continuar sendo o grande clássico e a referência.

Por isso, a Disney precisa inovar sem medo de errar, sem medo de ousar. Não é preciso ter uma história completamente diferente. Não precisa colocar Alladin como um jovem moderno ou a Mulan como uma garota punk e rebelde. É preciso, apenas, dar um novo ângulo para as histórias. Afinal, é sempre bom saber todos os lados daquilo que nós amamos.