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  • Matheus Mans

5 motivos para ler ‘Guerra do Velho’, livro de John Scalzi


O primeiro capítulo do livro Guerra do Velho, escrito por John Scalzi e editado no Brasil pela Aleph, é instigante. Um homem está fazendo 75 anos. Por isso, ele faz um ritual: fala com o seu filho, visita a cidade e vai ver o túmulo de sua esposa, morta há alguns anos. Tudo bem, tudo normal. Até que John Perry -- o tal homem -- vai para uma base do exército para se alistar e participar da próxima frota de combatentes interplanetários, entrando numa luta contra seres de outros planetas.

A partir desta premissa, o norte-americano John Scalzi começa a desmembrar uma space opera original, divertida e, por vezes, cruel. Livro de estreia de Scalzi, Guerra do Velho cria um universo que faz qualquer um mergulhar rapidamente em suas 365 páginas e esperar, com ansiedade, os outros seis livros que já foram publicados no exterior e que ainda não tem data pra chegar ao País -- ainda que a Aleph prometa um novo livro do autor para este ano, a ficção Encarcerados.

Assim, o Esquina listou cinco motivos para ler Guerra do Velho e conhecer um pouco mais do universo criador por Scalzi:

Universo atraente e original, sem perder o sentido sci-fi

A premissa do livro é incrível e extremamente original, e assim continua em todas as suas páginas. Mesmo tendo claras influências de Tropas Estelares, Scalzi se renova e faz toda a trama parecer uma nova versão de clássicos do passado, com renovações de histórias e de situações. E apesar de inserir muitos elementos humanos e psicológicos em meio à torrente de acontecimentos, Guerra do Velho não esquece, em momento algum, que é um livro de ficção científica, deixando os fãs do gênero entusiasmados.

Escrita natural e elegante

Grande parte do mérito do livro está na escrita natural e elegante de John Scalzi. Sem se deixar levar por sentimento de grandiosismo ou, ainda, necessidade de extrema descrição, o autor tece uma história concisa e que deixa espaço para a criação. Afinal, Scalzi não bebe da fonte de autores passados, que faziam muitas descrições. Pelo contrário, o autor de Guerra do Velho dá espaço para o leitor imaginar personagens, cenários e, principalmente, criatura, criando uma trama mais viva e rica.

Personagens bem construídos

Ainda que seja direto em suas narrativas, Scalzi não perde a força de suas personagens. Ainda que a única personagem aprofundada seja, de fato, John Perry, ele consegue criar uma personalidade interessante e que consegue mesclar a experiência dos 75 anos de vida na Terra com os poucos anos vividos como guerreiro no espaço. O único problema, talvez, é alguns atos inconsequentes da personagem, que não são condizentes com alguém de 75 anos -- mesmo que esteja renovado no espaço.

Mesmo tenso, livro cria ambiente bem-humorado

O livro é tenso do começo ao fim. Afinal, ele é recheado de guerras, brigas, descobertas de alienígenas. Mesmo assim, porém, o autor norte-americano consegue inserir elementos de humor em toda narrativa. Várias vezes, durante a leitura, me peguei dando gargalhadas com algumas das situações -- como quando Perry fica chocado com o médico, numa das cenas iniciais, ou após sofrer um acidente com uma nave. É um humor elegante, muito bem dosado e que não atrapalha a ficção científica da trama.

Final impactante

Apesar do final ser um tanto quanto previsível, sem uso de subterfúgios para mudar isso, a trama consegue ganhar força e deixar o espectador curioso para a sequência de histórias de John Perry como um conquistador do espaço. Tudo isso, claro, se deve aos quatro itens anteriores, que fazem de Guerra do Velho uma das melhores tramas de ficção científica lançadas no Brasil em 2016. Agora, é esperar as próximas edições e torcer para a Aleph as trazer o quanto antes para cá.