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  • Matheus Mans

6 curtas de animação do Anima Mundi e o que achamos deles


É uma experiência incrível participar do Anima Mundi. Extremamente plural e democrático, o festival é um presente para os fãs de animação e de cinema. Afinal, é possível, durante quatro dias, encontrar todo tipo de atividade, como bate-papo com animadores e diretores, sessões competitivas e premiações para profissionais diversos. E para mostrar um pouco mais do clima do festival, o Esquina selecionou seis curtas infantis assistidos durante o Anima Mundi.

Exibidos durante a sessão competitiva, estas seis pequenas histórias mostram um pouco da diversidade do festival e o que pode ser encontrado por lá. E detalhe: as salas onde os tais curtas são exibidos são abertas ao público em geral, que pode assistir à seleção por cerca de uma hora e pagando apenas R$ 4 -- se tiver meia-entrada, então, o ingresso para R$ 2. É extremamente popular e pronto para receber quem quiser participar nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Os curtas, obviamente, não estão disponíveis na internet. A maioria tem apenas clipes de trechos, como um trailer. No entanto, se ficar com vontade de assistir, fique atento: o Anima Mundi está preparando uma plataforma de streaming e que irá exibir vários longas e curtas de animação como se fosse um Netflix. Só entrar no site do Anima Mundi On e ficar de olho no lançamento do site.

Lobo. Curtíssimo, o curta-metragem Lobo tem apenas 4 minutos. A história, porém, aposta na metáfora: acompanha um menino, quase bebê, que foge da escola e vai para a floresta. Lá, ele encontra uma família de lobos e que transforma seu dia. Dirigido pelo alemão Felix Gönnert, a história aposta em efeitos tridimensionais e outros parecendo rabiscos, quase que amadores. E apesar de parecer sem sentido, Lobo faz pensar e quando a história entra em ordem, espanta. Surpreendente para tão pouco tempo.

A Montanha de Sgaan. Apesar da história ser fraca, o canadense A Montanha de Sgaan surpreende pelo jeito que conta a história. Ao invés de ser feito do jeito tradicional, de modo linear, o cineasta Christopher Auchter divide a tela do cinema em vários pedaços para mostrar diferentes pontos de vista de uma mesma cena. Pena, porém, que a história seja tão confusa, já que a execução é inventiva e chama a atenção. Vale a pena apenas pela experiência de ver ousadia num curta-metragem infantil.

A Carta Perdida. Exemplo de como há espaço para produções maiores também no Anima Mundi. A Carta Perdida mostra a relação de uma senhora amargurada e uma criança que ama o Natal -- e que tenta convencê-la a viver a data ao máximo. Apesar de força na dose de emoção e ter uma animação um tanto quanto amadora, A Carta Perdida tem uma boa história e que chama a atenção pela narração de Kate Winslet (Titanic), que conta a história em versos e rimas.

Ela está enrubescida. Para mim, o grande destaque do festival de curtas infantis. Ela está enrubescida é simples, com desenhos singelos que parecem aquarelas. E a história é bela e delicada: mostra o dia de uma menina que fica com as faces avermelhadas por qualquer coisa -- desde o frio quando sai de casa até quando a senhora ao seu lado no ônibus solta um pum. Lindo de ver, porém, a relação dela com um garoto no ponto de ônibus, que deixa as faces da menina e com vermelho em formato de coração.

Escapada Espacial. Produção nacional e que homenageia os games tradicionais. Para isso, o diretor Bruno Monteiro criou um design específico -- com uma animação cheia de pixels -- e com uma história de videogames dos anos 1980. Pena, porém, que faltou uma história mais cheia e com começo, meio e fim. Ainda assim, interessante ver produções nacionais e de olho na tecnologia.

O Vento nos Juncos. O mais longo dentre os que assisti, com mais de 25 minutos. Porém, a história fez valer a pena o tempo a mais: mostra um vilarejo que é proibido de tocar música ou cantar. O motivo? O filho do rei está surdo. No entanto, as coisas mudam quando um trovador chega no local e coloca música na vida das pessoas. Com rabiscos de lápis de cor, O Vento nos Juncos lembra animações dos anos 1980 e emociona quem assiste, com uma história concisa e produção detalhada.