• Matheus Mans

'A Cabana': 6 motivos para não assistir (e 1 para assistir)


O livro A Cabana se tornou best seller nos idos de 2007. Escrito por William P. Young, a obra retrata a trajetória de um homem que vê sua vida desmoronar após sua filha ser brutalmente assassinada. Com dificuldade em retomar o dia a dia com sua família, ele acaba, num rompante de desespero, indo para a cabana onde sua filha foi morta e, no local, tudo se transforma.

Afinal, ao chegar na cabana, ele é levado para um outro lugar, onde estão Deus, Jesus e o Espírito Santo. Reunida, a Santíssima Trindade tenta explicar para o homem o que aconteceu com sua filha, os motivos que não permitiram que ela fosse salva e, principalmente, o ensinam a perdoar e a seguir em frente. Em resumo, uma ótima história de auto-ajuda.

Agora, o filme chega às telas do cinema. Livremente adaptado do livro de Young, o longa conta com um elenco estrelar e um diretor competente. O resultado, no entanto, não poderia ter sido mais catastrófico. Abaixo, veja os seis motivos para não ver -- e 1 para ver -- o filme A Cabana:

1. Atuações

As atuações são ruins. Octavia Spencer está no automático e nem ao menos lembra as suas atuações em Histórias Cruzadas e no recente Estrelas Além do Tempo. Os desconhecidos Aviv Alush e Sumish (que fazem, respectivamente, Jesus e o Espírito Santo) envergonham com interpretações rasas e de pouca emoção. O pior, porém, vem com Sam Worthington: o ator não demonstra dor, luto, sofrimento e ódio como o seu personagem exige. Infelizmente, é apenas uma sombra do ator de Até o Último Homem e Avatar.

2. Roteiro

O roteiro, do trio John Fusco, Andrew Lanham e Destin Daniel Cretton, é fraco. Além de não valorizar aspectos importantes da história e criar falas risíveis, mensagens positivas e de auto-ajuda estão camufladas em metáforas bregas e sem impacto. A cena do Espírito Santo no jardim trata o espectador como burro e faz uma comparação didática e sem profundidade — apesar da intenção da mensagem ser boa. Parece uma grande aula de catequese.

3. Auto-ajuda express

Na tentativa de emocionar a todo o custo e personificar as divindades, o diretor criou cenas vergonhosas. Deus ouvindo música com fones de ouvido, por exemplo, não causam o efeito esperado e distanciam o espectador da narrativa — Morgan Freeman como Deus em Todo Poderoso causa mais sensação de proximidade do que aqui. Pior, porém, é uma cena de Jesus andando na água: além de ter efeitos visuais péssimos, a cena é sem nexo, infantil e desagradável. Parece mais uma esquete de Monty Python.

4. Duração e edição

É longo demais. Apesar de contar na edição com William Steinkamp, de Perfume de Mulher, a história ficou monótona e sem ritmo. Assim, as quase 2 horas de projeção se arrastam.

5. Direção

O diretor Stuart Hazeldine, responsável pelo mediano Exame, parece não saber o que fazer com o material. Ele tenta enfiar mensagens goela abaixo do espectador e não sabe como tratar a narrativa. O resultado é um conjunto de cenas que parecem estar blocadas e sem conexões. Além disso, ele perde oportunidades: em uma cena final, ele teve a oportunidade de fazer o espectador repensar toda a história. Só que acaba perdendo o timing e cria um final convencional.

6. Final decepcionante

No final, o filme não causa reflexão alguma. Ele apenas tenta provar uma série de mensagens motivacionais e não dá tempo para o espectador pensar e refletir sobre o que está vendo na tela.

Ponto positivo:

Apesar de tudo, as imagens do filme são belas. Comandada pelo norte-americano Declan Quinn, que nunca esteve presente em grandes produções, a fotografia deixa o filme com um tom onírico e dá leveza na história. Só isso para incentivar o espectador a enfrentar as 2h13 de projeção.