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  • Matheus Mans

Análise: Com Irrfan Khan, cinema indiano foi mais longe


Na manhã de ontem (29), chegou a notícia. O ator indiano Irrfan Khan morreu, com apenas 53 anos, após complicações de um câncer no cólon. Ao ler obituários sobre o ator por aí, as palavras usadas são complicadas, cheias de termos técnicos. Algo que vai em um sentido contrário do que foi Irrfan durante toda a sua carreira. Um homem que brilhava com pouco.


Afinal, por mais que tenha sido identificado por seus papéis em sucessos como Jurassic World ou com o premiado Quem Quer Ser um Milionário?, o ator indiano brilhava em papéis sensíveis. Em Lunchbox, Irrfan emocionou e cravou o melhor personagem de toda sua carreira -- e em um dos melhores filmes dos últimos tempo. No recente O Quebra-Cabeça repetiu sua sensibilidade.


O fato é que ele sabia trabalhar com silêncios, com olhares, com gestos. Sua atuação era magnética, quase um presente para aqueles que buscavam atores dando camadas introspectivas aos seus personagens. Vê-lo, nas telas, era mais do que observar um ator com falas decoradas e com coordenadas prontas. Era um astro que sentia e vivia os seus papéis.


Além disso, pode-se dizer, com tranquilidade, que Irrfan levou o cinema indiano para o mundo. Ok, você pode argumentar que a indústria de Bollywood gera milhões, faz milhares de filmes por ano e que arrasta multidões para o cinema. Mas era algo muito centralizado. Com Irrfan, filmes como o já citado The Lunchbox e Paan Singh Tomar ganharam dimensões para além-fronteira.


Quando foi para o cinemão americano, por mais saturado que fosse o seu papel (como em Jurassic World), Irrfan encontrava um espaço para chamar a atenção e mostrar a sua força.


Agora, sem ele, fica um vazio. Claro: seu legado irá atravessar gerações, com dezenas de filmes bem interpretados e com a ajuda que deu o cinema indiano, expandindo-o ao redor do mundo. Mas será estranho, nos próximos anos, não encontrar um singelo drama chegando aos cinemas com sua doce atuação. Khan era um achado. Raro, sensível, inteligente. Um ator a ser celebrado.

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