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  • Matheus Mans

Aos 70 anos de carreira, irmãs Galvão lançam livro e documentário


O mundo tinha saído há apenas dois anos da Segunda Guerra Mundial quando as pequenas Meire e Marilene Galvão, de 7 e 5 anos, respectivamente, pegaram suas violas e saíram para cantar. Donas de um carisma inabalável e de uma voz naturalmente afinada, as duas levaram a música caipira aos holofotes e, com o tempo, conseguiram calçar um caminho honrado no mundo sertanejo.

E hoje, prestes a completar 70 anos de carreira, As Galvão — como são conhecidas hoje as meninas de Ourinhos — não param. Para comemorar a data, já anunciaram um DVD, shows especiais, um documentário e, até mesmo, um livro biográfico para detalhar as sete décadas vividas à favor da música. “A gente nem sabia que ia fazer 70 anos”, conta Meire, ao Esquina. “Um fã nos lembrou, há cerca de dois anos, e aí que começamos a pensar o que poderíamos fazer.”

Por isso, para comemorar a data, conversamos com As Galvão. Além das novidades, falamos sobre os desafios, as alegrias e sobre dois assuntos que, para elas, são sinônimos: música e vida. Abaixo, os melhores trechos da entrevista do Esquina com Meire Galvão:

Esquina: Como é a sensação de completar 70 anos de carreira?

Meire: Pois é, até agora não caiu a nossa ficha. Você nunca espera fazer 70 anos de carreira, é muita coisa. Você começa a trabalhar e pensa em outras coisas, não em como será a comemoração de sete décadas de profissão. E olha como nós somos loiras e idosas: a gente não tinha percebido que faríamos 70 anos de carreira. Foi um fã que foi ao nosso camarim, há dois anos, e perguntou o que estávamos preparando. A gente levou um baita susto! Não tinha nada. Só aí que começamos a preparar o DVD, o livro, o documentário. Não podia passar em branco.

São vários especiais para comemorar a data.

Sim, preparamos várias coisas. Lançamos o livro em Curitiba na última semana, foi um sucesso. Vendeu pra caramba. Não deu pra ficar rica ainda, mas vamos conseguir. E agora, no próximo dia 30, lançaremos o livro em São Paulo. Aposto que vai ser um sucesso também, talvez ainda maior. Afinal, o livro é ótimo. O autor, Michael Monteiro, fala sobre nossos últimos 42 anos de carreira. É um trabalho de pesquisa fantástico. Entrevistou gente da nossa época, nos entrevistou, falou com gente velha… Tá lindo.

Qual o segredo para estar há tanto tempo na estrada, e de maneira tão ativa?

É gostar do que faz. Nós amamos cantar, amamos música caipira. A gente sempre trabalhou para perpetuar esse gênero. Claro, isso não depende só de nós. Mas a gente sempre batalhou em favor da moda. Isso também faz com que a gente fique mais tempo na estrada. Amamos nosso trabalho e o gênero de música que tocamos.

O jovem conhece a música caipira?

Hoje em dia, o jovem quer participar, quer dançar, quer fazer as alegrias deles. É natural. E a música caipira está correspondendo à este desejo. Afinal, o gênero foi se transformando com o passar dos anos. Começou com Raul Torres, depois veio Léo Canhoto e Robertinho, em outro tempo e em outro estilo de moda. Depois veio Milionário e José Rico, em outro tempo. Depois veio Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, transformando a música de novo. E agora, é o sertanejo universitário. No final, todo esse movimento e transformação só fortalece a música caipira.

E o meio musical, que agora está na era do streaming, mudou. Como está isso para vocês?

Não tá. As gravadoras fecharam, tem pouco mercado. Mas, ainda assim, 90% da música tocada nas rádio do Brasil é sertaneja. E estamos vivendo com muita alegria esse momento. Nós batalhamos para isso. A gente viveu um tempo que o caipira era esquecido. E agora, com o sucesso do sertanejo, mesmo que universitário, ajuda a gente. Ainda mais com o tal dos 70 anos de carreira. Agora a coisa ficou boa.

Daqui a pouco, As Galvão vão para o universitário.

A gente só não entra no gênero do sertanejo universitário por não termos fôlego para isso! (risos). Por isso, a gente continua com a música caipira. Por que, no final, até o jovem que gosta do sertanejo universitário acaba escutando a gente, indo em show. E quem não gosta do sertanejo universitário, vai também.

E como vocês imaginam que será a carreira de vocês daqui pra frente?

A gente quer continuar levando a alegria que a gente sempre levou para os palcos. Até o momento que a gente perceba que não dá mais. Hoje, a gente tá bem de saúde, bem no palco, acompanhando a modernidade. A gente não fica sentada num banco, fazemos show pra cima. E faremos isso até que a gente tenha fôlego. O dia que isso acabar, a gente olha uma para outra e perguntamos: valeu? Valeu.