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  • Foto do escritorAmilton Pinheiro

Paulo Novaes, um renascentista na música


Há uma reformulação ou renascimento já em vigor na carreira do cantor, compositor e instrumentista Paulo Novaes, que faz show neste domingo no Teatro do Sesc Belenzinho, em São Paulo, às 18h, apresentando as músicas dos seus primeiros discos de estúdio Esfera (2016), Baú do Coração (2018) e Minha Cabeça (2021) e algumas canções compostas já nessa fase de transição, como Investigando o Céu, faixa título do seu quarto disco de estúdio. Ele ainda lançou, em 2022, um disco ao vivo feito no Bona Casa de Música em São Paulo, reduto para os novos cantores da Música Contemporânea Brasileira com as canções dos seus primeiros três discos com a participação do violonista Camarero.


Antes mesmo de completar 10 anos de carreira, Novaes faz uma espécie reformação artística na sua trajetória que começou muito anos antes dele fazer um financiamento coletivo para lançar seu primeiro disco Esfera, de 2016.


Há uma precocidade na vida artística do paulistano Paulo Novaes, que ainda era um menino quando começou a cantar aos seis anos no coral dos Trovadores Mirins, fundado em 1995, um desdobramento do grupo Trovadores Urbanos, um quarteto vocal formado por Maída Novaes, Eduardo Santhana, Juca Novaes e Valéria Caram, criado em 1990. Aos 11 anos já fazia suas primeiras composições e aos 15 anos já se arriscava nos shows.


“Esse menino e adolescente que eu era, arriscando os primeiros passos na vida que ainda não sabia que seria artística, ajudaram a a construir esse olhar do homem e profissional que sou hoje. Foi uma trajetória de autoconhecimento, que ainda está em curso, sempre. Esse processo muito íntimo faz parte, é natural do ser humano. É uma etapa de vida que está se descobrindo . Isso acaba refletindo em canções para quem trabalha com isso”, conta em áudio pelo WhatsApp Noves nessa entrevista exclusiva para o Esquina depois dos ensaios para o show de logo mais no Teatro do Sesc Belenzinho em São Paulo.

Vindo de uma família de músicos e rodeado por vários amigos cantores e compositores, Novaes sabia da instabilidade e as dificuldades para ser artista no Brasil, ainda mais fazendo parte dessa nova geração de cantores da música contemporânea, em que tudo é muito difícil e lento para acontecer, tanto é que ele, formado em jornalismo, chegou a trabalhar para o time do Corinthians durante um período, conciliando nas horas vagas, segundo ele nunca fez tanta composições nos intervalos e horas vagas do trabalho.


Chegou a morar em Portugal por dois anos, e lá produziu o seu terceiro disco de estúdio, seu trabalho mais consistente e poético Minha Cabeça, com participações de vários artistas do Brasil e de outros países, um trabalho coletivo e olhares múltiplos sobre temas diversos, tendo o relacionamentos instáveis, as angústias, o autoconhecimento e as incertezas sobre o mundo, a vida e as pessoas como reflexões e entendimentos para esse olhar para dentro, que fez parte dos seus três primeiros discos.


Em 2022, mesmo já tendo sido gravado por artistas como Lenine, a dupla Anavitória, Flávio Venturini, Luiza Possi, os cantores portugueses Tiago Nacataro e Janeiro, Pedro Altério, Duda Black e Jorge Drexler, vencido um Grammy de melhor canção em Língua Portuguesa em 2021 e com vários projetos em curso, Noves pensou em desistir depois de problemas de produção de seus shows. “Atravessei uma turnê muito complicada, que foi incrível, mas bem intensa em várias questões de produção. Aí me fez pensar: ‘Gente, será que é isso mesmo que eu quero?’, mas logo em seguida desistir dessa ideia (risos) e estou mais fortalecido e com muita certeza de tudo que eu quero fazer, que não é pouca coisa”, revela ele na entrevista completa no final da matéria.

Um renascentista da música e um pesquisador do Brasil profundo


Diante do imponderável de largar tudo, depois de anos de tantos sacrifícios e perseveranças, com um trabalho com identidade e consistência artística, Noves renasceu das crises que acometem qualquer pessoa que vive de arte, de criar, de produzir e de se alimentar com esse bálsamo de curar almas em desalinho.


Depois do autoconhecimento e desse olhar para dentro, para entender o seu “eu” e de como ele se relaciona com suas apreensões e conflitos internos, que moldaram seus primeiros três discos e composições, ele agora quer desbravar outras percepções, olhar para fora, para o mundo que o rodeia, sair da zona de conforto de temas que lhe são conhecido e frequentes e se arriscar para outro imponderável, para o o sem fim do Universo, da Natureza, do Conhecimento.


Agora a investigação é sem fronteiras, sem garantias, quer ousar e se aventurar para outros lugares, fora do “eu,”, para o que nos circunda, nos rodeia. Daí se orienta seu quarto disco de estúdio que está a caminho, Investigando o Céu, mas antes, ele deve lançar dois projetos com parceiros. Um, com o cantor português Janeiro, Protocolar, um trabalho quase experimental, segundo Noves, e o outro é um com o compositor mineiro Luiz Gabriel Lopes, que nasceu de um contato que eles tiveram com um povo originário do Acre, a tribo Huni Kuin (Kaxinawá).


“Me sinto preparado para mergulhar de cabeça para questões para além de minha vida. (…) Olhar para o lado de fora, como na última canção que fiz para o disco Minha Cabeça (começa a cantarolar a letra: Pra entender agora/O que guardou no peito/Tem que olhar lá fora/Pra entender por dentro/Olhar pra fora é ter coragem/Crer na viagem, no envolvimento/Olhar pra dentro é o momento/De sentir agora o que viu lá fora/Tudo o que a gente vivencia/É mais um passo na estrada/A confusão, a calmaria/Um grande encontro, uma cilada…). Ela dar uma pista para o que vem por aí”, reflete.


Esquina da Cultura: Como foi começar na música fazendo um financiamento coletivo e contando com o apoio dos amigos músicos e da família para gravar seu primeiro disco Esfera em 2015? De que maneira ter começado a compor e a gravar tão cedo, ainda criança e adolescente, ajudaram na decisão de gravar o primeiro disco?

Esquina: O que essa criança e esse adolescente queriam dizer para o homem que você é hoje? Essa produção feita nesse período de descobertas e inocências perduraram? Como você enxerga esse início?

Esquina: Você é nascido em São Paulo, de uma família de músicos, sendo que uma das avós foi cantora nos anos 1950, Maria Piedade, é sobrinho de Maida Novaes, criadora do grupo Trovadores Urbanos, e cercado de artistas dessa geração da música contemporânea de São Paulo. De alguma maneira isso pode ter estimulado por um lado, mas travado por outro, em decorrência de medo de comparações, de cobranças, etc. Fale um pouco dessa dualidade e em que momento você se sentiu sem cobranças ou amarras dos artistas e da família que lhe cercam?

Esquina: Três discos gravados, Esfera (2016), Baú do Coração (2018) e Minha Cabeça (2021), e o quarto, pelo que li foi gravado ao vivo num bar em São Paulo, com voz, violão e o público presente. Esses discos tem uma unidade que é uma cerca introspecção, um olhar para o autoconhecimento, para as descobertas que fazem parte da caminhada de existir, dos relacionamentos fluídos e o medo de se entregar, um olhar da perda de inocência e das novas possibilidades que se abrem, da vida que nos traz angústias, medos e tantas incertezas, da inadequação e da tentativa de compreender a totalidade pelos fragmentos que nos são dados na trajetória. Três discos, uma tríade de temáticas que se unem pelo elo da relação do olhar para dentro, mas já querendo enxergar muito do lado de fora. Gostaria que você falasse um pouco sobre esses três discos, de como você os enxerga? Quando chegará esse quarto disco, que representa tocar e cantar essas músicas acusticamente, com a participação e o calor da plateia, ou seja, uma apreensão calorosa da música com o público e o cantor, fale um pouco sobre ele?

Esquina: São menos de dez anos de carreira, contando o primeiro disco lançando em 2016, Esfera, realizado por um financiamento coletivo, uma estadia em Portugal, Lisboa, quando você foi morar lá entre 2018 e meados de 2020, um álbum feito entre o Velho Mundo e o Novo Mundo, Minha Cabeça, com participação de músicos portugueses e seus amigos e parceiros cantores, que une música e poesia, um prêmio Grammy, de melhor canção em língua portuguesa, Lisboa, músicas gravadas por artistas diversos, como Flávio Venturini, Anavitória, Lenine, Luiza Possi, Bruna Caram, Tiago Nacataro, Duda Black, entre tantos outros. Qual o balanço que você faz de tudo que lhe aconteceu nesses anos? Houve algum momento em que você pensou em desistir?

Esquina: Numa entrevista, você disse que está fechando um ciclo com seus primeiros três primeiros discos, que ficaram muito próximos da sua zona de conforto, que agora quer expandir esses olhares e enxergar outras percepções que não estão tão próximos de você e das pessoas que conhece, quer se testar, sair da zona de conforto. Ou seja, do olhar introspectivo, para dentro, para um olhar para fora, para o desconhecido, se testando e experimentando, e cita como referência o compositor Gilberto Gil que desbravou várias temáticas e experimentações, do forró a Bob Marley, do universo da internet e das tecnologias, para o realce da vida e do brilho, do lugar paradisíaco para a doença, a velhice e a possibilidade de morrer. Gostaria que você falasse para onde você quer caminhar como compositor de agora em diante e se vem aí não somente novas composições e um novo disco?

Esquina: Você, que é formado em jornalismo, chegou a trabalhar com o time de futebol Corinthians. O que você fez nessa época? Como foi trabalhar noutra área diferente da música e de que forma esse distanciamento alimentou suas composições e a carreira de cantor. Como é hoje viver exclusivamente de música?

Esquina: Noutra entrevista que li sua, você descreve a Bossa Nova como música folclórica, o que achei bastante controversa sua fala e referência ao mais divulgado gênero da música brasileira no exterior. Para recuperar o contexto, você disse que estava morando em Lisboa, Portugal, e percebeu que muitos portugueses, cantores ou não, ainda cantam as músicas da Bossa Nova, como Garota de Ipanema, Chega de Saudade, entre outras do gênero, como não conhecessem o que se está fazendo de novo na música brasileira. Ao mesmo tempo, você disse que isso lhe fez repensar sobre a tradição da música brasileira, não somente da Bossa Nova, também da MPB, do Samba, etc. Gostaria que você comentasse a respeito dessa sua fala e a sua relação com a música brasileira e sua tradições?

Esquina: Retomando a pergunta anterior, quais são sua referências da música brasileira? Algum gênero em especial que você aprecia? Como você enxerga a relação da Música Popular Brasileira com a Música Brasileira Contemporânea, da qual você faz parte?

Esquina: Uma dos várias coisas que gostei da sua música, é a maneira como você fala sobre relacionamentos, metaforizando-os, com as coisas ao redor, com a natureza, com os lugares, com o universo, etc, não fica preso ao relacionamento em sim, você constrói metáforas e foge das meras discrições e de uma certa pobreza de conteúdo e do léxico do nosso português. Gostaria que fosse comentasse a respeito e o que faz para conhecer mais nossa língua portuguesa? É um leitor e quais os escritores e poetas que aprecia?

Esquina: Para encerrar e conhecer um pouco mais sobre você, em resposta curtas: Tem alguma religião ou fé? Para que time torce? Como lida com a solidão? E a timidez? Pensa em relacionamento duradouro a dois e filhos? O que acha da política? Tem algum filme que nunca cansa se ver? Um poema de cabeceira? Que país quer deixar? Natureza ou praia? Qual foi sua maior ousadia artística?


SERVIÇO


SHOW: PAULO NOVAES


Dia 16 de julho de 2023. Domingo, 18h


Local: Teatro (374 lugares)


Valores: R$ 40 (inteira); R$ 20 (Meia entrada), R$ 12 (Credencial Sesc)


Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc


Classificação: 12 anos


Duração: 90 minutos



SESC BELENZINHO


Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.


Belenzinho – São Paulo (SP)


Telefone: (11) 2076-9700


Sescsp.org.br/Belenzinho



Estacionamento


De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.


Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional.


Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.


Transporte Público


Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

 

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