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  • Matheus Mans

Brasileiro escreve livro inspirado na vida e obra de Tarantino


"Uma história de amor difícil de explicar". É assim que o contador mineiro Samuel Cardeal, de 30 anos, resume sua relação com obra e trabalho do cineasta americano Quentin Tarantino. Diretor de clássicos do cinema como Pulp Fiction e Cães de Aluguel, Tarantino deixou de ser apenas ídolo de Cardeal e, recentemente, se tornou personagem principal de seu novo livro, Quentin Tem Que Morrer.

"Não me lembro exatamente de como a ideia surgiu", conta Cardeal, em entrevista ao Esquina. "O livro é fruto da minha admiração pelo Tarantino, que é, de longe, o meu cineasta predileto. Nada mais justo que homenageá-lo com ficção."

Contador de profissão, Cardeal assume o posto de escritor em suas horas vagas. Dono de quatro outros livros, o morador de Belo Horizonte decidiu usar o cineasta como personagem principal de sua obra para contar a trajetória de um jovem com emprego comum e que, em um dia qualquer, começa a ser perseguido por dois homens armados. A partir daí, ele mergulha em um turbilhão de acontecimentos, em meio a perseguições, tiroteios e boates de strip-tease.

"É uma história com elementos comuns a filmes de Tarantino, como as referências, a violência e o humor negro, mas de uma forma mais leve e cômica", sintetiza o mineiro . "Quem conhece bem a filmografia de Tarantino vai reconhecer vários de seus personagens, não só de filmes dirigidos por ele, mas também de alguns que ele apenas roteirizou."

O objetivo, além de homenagear o cineasta, é conquistar ainda mais leitores. "Diferente de outros trabalhos meus, esta não é uma história densa, é uma história para entretenimento. Daqui pra frente tenho vários projetos em andamento, e quero manter uma boa produtividade. Pouco a pouco, quero conquistar um bom número de leitores", conta o autor do livro.

Dificuldades. Para conseguir viabilizar o livro, o mineiro apostou no crowdfunding -- mecanismo de financiamento coletivo. O objetivo do projeto, disponível no site Catarse, é arrecadar R$ 3,8 mil. Até a publicação desta reportagem, a meta estava em R$ 1,3 mil. As contribuições variam entre R$ 10 e R$ 900, e incluem brindes como o livro impresso, trabalho de ghostwriting, bottons e um marca página personalizado.

"Bancar uma tiragem, para um autor independente, é um risco. A possibilidade de ficar com uma pilha de livros encalhada em casa é grande", explica o escritor mineiro. "O crowdfunding permite que a produção dos livros seja direcionada. Além disso, a plataforma de autofinanciamento é uma vitrine e o formato aproxima o artista do público, permitindo que o leitor compre a ideia e também queira difundi-la em seu meio."