• Matheus Mans

Caio Castelo é agradável descoberta da música cearense


O Ceará deve ter algum tipo de magia, alguma sorte que faz brotar músicos bons em todas épocas, em todas gerações. Da terra que já nos deu Fagner, Belchior e Patativa do Assaré, agora chega um novo nome, ainda de mansinho, mas que já tem tudo para crescer e se destacar: o jovem cantor Caio Castelo, que acaba de lançar Dois Olhos, o segundo disco de sua carreira.

Em tons suaves, ritmados por uma bateria cadente e instrumentos de sopro bem colocados, Dois Olhos é uma surpresa agradável desde o começo. Transbordar, que abre os trabalhos do álbum, é delicada e refinada musicalmente, com uma composição que mostra extremo potencial. Em seguida, ele chama a atenção com um ritmo mais latino e cadenciado em Esse Lugar.

Já em Nicarágua e Destá, Caio Castelo mostra total domínio sobre a conexão entre voz e instrumentos. A primeira de um jeito mais clássico, à base de piano, e a outra de modo mais psicodélico. Destá, aliás, é o melhor trabalho de Dois Olhos -- e olha que isso é páreo duro, depois de ouvir ainda as ótimas Besteira e Chão nos Pés. Não é à toa que Destá ganhou até clipe. É um hit em potencial.

Além disso, quando comparado com o primeiro disco de Caio, Silêncio em Movimento, é vista uma clara evolução, seja como compositor ou como músico. Além de mais elegante, as músicas são mais coesas e bem trabalhadas, ainda que o resultado de Silêncio em Movimento seja extremamente positivo. No final do álbum, você se sente completo. É um sentimento agradável de que passou por um trabalho bem pensado e feito para emocionar.

Caio Castelo é uma boa descoberta da música brasileira -- graças, aliás, à Clube Box, que entrega todo mês um disco para seus assinantes descobrirem e experimentarem. Música, composição, melodia. Tudo surpreende e agrada em Dois Olhos. E perdão pelo trocadilho: agora é ficar com os dois olhos grudados no rapaz cearense, esperando os seus próximos trabalhos. Sem dúvida, vem coisa boa por aí.