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  • Amilton Pinheiro

Claudia Manzo apresenta músicas do seu novo álbum 'Re-voltar' em SP


Crédito: Luciana Diniz

Em certa ocasião, a cantora chilena Violeta Parra (1917-1967) , uma das maiores artistas que o mundo presenciou, falou que “a obrigação de cada artista é colocar o seu poder criador a serviços dos homens. Já é arcaico cantar aos riozinhos e às florzinhas. Hoje a vida é mais dura e o sofrimento do povo não pode ser ignorado pelo artista”. Um diagnóstico preciso não somente do tempo em que viveu, mas também dos dias atuais, e que inspira jovens artistas latino-americanos. É o caso da cantora, compositor e instrumentista chilena Claudia Manzo.


Ela vive no Brasil, em Belo Horizonte, e se apresenta neste sábado no Sesc Belenzinho, trazendo músicas de sua carreira, de parcerias e do seu álbum recente Re-voltar. “Uma tremenda de uma referência para todos nós, artistas latino-americanos. Uma mulher que conquistou o mundo de forma única, criativa, livre, que me inspira muito, minha carreira. É o que pretendo criar como artista, mulher, imigrante”, falou em entrevista exclusiva para o Esquina (leia logo abaixo).

Neste seu novo trabalho, o segundo da carreira, Claudia se inspirou nas transformações na América Latina. Explorou história e costumes, nas condições da mulheres em nossa sociedade e na luta do seu povo, como às manifestações populares ocorridas no Chile em outubro de 2019, quando a população foi às ruas para protestar contra os aumentos da passagens de metrô, e que resultaram nas eleições do primeiro presidente de centro-esquerda da história do Chile, Gabriel Boric, eleito pela colisão socialdemocrata Apruebo Dignidad, em 2022.


“A primeira composição desse novo álbum foi inspirada nessa grande revolta popular de outubro de 2019 no Chile. Essa música Re-volta colocou essa carga muito potente nesse trabalho, dessas mudanças populares até chegar na eleição de Gabriel Boric. Esse disco é justamente esse momento, essa explosão na América Latina, da volta da esquerda, com o desgaste dos governos de direita”, revela a artista, que entende que “essa história são nossas, do povo, são minhas, das mulheres discriminadas, são histórias do nosso dia a dia”.


Na entrevista que segue, a cantora fala sobre sua carreira independente, da luta para sobreviver da sua música, tendo que trabalhar em outras atividades, como preparadora vocal, diretora musical e professora de canto, da grandiosidade e riqueza da história da América Latina, da necessidade de inclusão, das parcerias, como da banda Baiana System, da influência de artistas da região e da música brasileira, como a do Clube da Esquina, Lenine, Chico César e Kátia de França, entre outros, e da certeza do que seria viver no governo de extrema direita no Brasil, que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, em 2018.

“A minha história foi sempre esta, de defender que nunca mais acontecesse isso. Até me emociono. Como esse país tão maravilhoso e rico foi entrando numa tristeza profunda, sombria”, indaga pensativa. Mas num trecho da música Água Benta, que está no novo álbum Re-voltar, ela nos coloca novamente a esperança. “Ninguém vai parar nosso som/Ninguém vai calar nossa boca/Ninguém vai parar nosso beat/Ninguém vai apagar nossa letra….”


Esquina da Cultura: Inspirada nas mudanças e transformações em curso na América Latina, tendo como ápice às eleições de Gabriel Boric, o primeiro presidente eleito de esquerda do Chile, como sua música e seu novo disco Re-voltar se alimentam dessa região com suas lutas sociais, seu povo mais simples, a condição das mulheres, etc?

Esquina: Nascida no Chile, e hoje morando em Belo Horizonte, fale um pouco da luta de uma artista latina no Brasil? Vendo sua biografia, você faz muitas atividades paralelas para sobreviver e viver próximo da sua arte, que é compor, cantar e tocar, trabalhando como preparadora vocal, diretora musical e professora de canto. Como essas atividades contribuem para sua existência de cantora e compositora?

Esquina: No seu entender, por que nós latinos, principalmente o Brasil, sempre viraram as costas para sua história, seu povo e seus costumes, preferindo olhar para Europa e para os Estados Unidos?

Esquina: Sua obra e suas parcerias musicais, olham para a ancestralidade, as tradições, a condição das mulheres, humildes ou não e as vivências sociais. O que é ser uma artista fincada no social e no papel da arte para o entendimento e a conscientização do seu povo? Como é conciliar uma obra consciente e que se alimenta da história da sua região e do seu povo, como nas músicas Re-volta, Pachamama, com a necessidade de flertar com a cultura pop, como na música Vacilão, que teve participação de Mariana Cavanellas, canção dançante, com acentuado ritmos latinos, que trata dos relacionamentos, amores e compartilhamentos a dois?

Esquina: Escutando algumas de suas músicas, não tem como não fazer alusões a obra da maior artista chilena de todos os tempos, Violeta Parra (1917-1967), que revolucionou a “Nova Canção”, olhando os ritmos tradicionais andinos e mexicanos, olhando os costumes, a história e a cultura dos camponeses chilenos. O que representa Violeta Parra para você, artista chilena, latino-americana e mulher? Quais as influências de Parra e de outros artistas populares chilenos, como Víctor Jara, na sua obra?

Esquina: Você lançou seu primeiro disco em 2017, América por una Mirade Femenina, e um show intitulado Migrante, em 2019. Agora está lançando aos poucos o seu segundo álbum de estúdio Re-voltar, além de participações com outros artistas, como o grupo Baiana System, no disco Oxeaxeexu. Ou seja, uma artista com quase dez anos de carreira e que desenvolve outras atividades. Fale um pouco desses trabalhos e dessas parcerias? Quais suas expectativas em relação a esse segundo álbum de estúdio Re-voltar e da nova turnê?

Esquina: Como é viver no país que elegeu um governo de extrema direita em 2018? O que você espera das próximas eleições no Brasil? O que sentiu em relação a vitória de Gabriel Boric no seu país natal, o Chile?

Esquina: Queria voltar novamente a Violeta Parra, que falou que: “A obrigação de cada artista é colocar o seu poder criador a serviços dos homens, Já é arcaico cantar aos riozinhos e às florzinhas. Hoje a vida é mais dura e o sofrimento do povo não pode ser ignorado pelo artista”. Um olhar apurado sobre seu povo, sua região e o papel da arte, um diagnóstico do seu tempo, mas que nunca deixou de ser atual. Gostaria que você comentasse essa frase à luz do que você entende o que é ser artista na América Latina….

Esquina: Qual é a influência da música brasileira na sua obra? Quais artistas você escuta? O que acha do Clube da Esquina?

Esquina: O que você escuta de músicas feitas no passado e no presente na América Latina? O que você destacaria hoje na música que se faz na região?

SERVIÇOS:

Local: Sesc Belenzinho – Comedoria (160 lugares)

Data: Dia 30 de julho de 2022. Sábado, 20h30 Endereço: Endereço: Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho

Tel. (11) 2076-9700

sescsp.org.br/Belenzinho

Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (Meia entrada), R$ 12 (Credencial Sesc)

Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc

Classificação: 18 anos

Duração: 90 minutos

 

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