• Matheus Mans

Crítica: Falta criatividade para 'Goosebumps 2' divertir como o anterior


Goosebumps: Monstros e Arrepios foi lançado em 2015 como uma tentativa de cristalizar uma franquia teen que assusta e diverte ao mesmo tempo. O material-base era bom, já que os livros de R. L. Stine são engraçados e criativos; e o elenco estava no ponto com Jack Black e Dylan Minnette. O longa-metragem dividiu opinião de público e crítica, mas é inegável que o resultado final funciona para crianças e adolescentes. É divertido, leve e conta com um visual fantasioso que andava sumido dos cinemas.

Agora, a Sony retoma a ideia de criar uma franquia com a continuação Goosebumps: Halloween Assombrado. Ao invés de se basear em algum dos diversos vilões e monstros criados por Stine, porém, o diretor Ari Sandel (do péssimo Quando Nos Conhecemos) e o roteirista Rob Lieber (Pedro Coelho) optam por continuar colocando o boneco Slappy como antagonista e criar uma história extremamente genérica e pouco criativa.

A diferença para Monstros e Arrepios, então, fica com os protagonistas. Saem Black, Minnette e Odeya Rush para a entrada de Jeremy Ray Taylor (IT: A Coisa), Madison Iseman (Jumanji: Bem-Vindo à Selva) e Caleel Harris (Castle Rock). A tentativa, aparentemente, é deixar o filme mais jovem, espontâneo e ainda mais próximo do que o longa-metragem do palhaço Pennywise fez. É um novo momento em que crianças e pré-adolescentes se tornam boas opções para estrelar filmes de terror descontraídos.

Poderia até dar certo, se não fosse a insistência em trabalhar novamente com o estranho boneco de ventríloquo. Como já ressaltado, usar o mesmo vilão acaba por criar vícios naturais na trama e difíceis de serem arrumados. Só ver franquias como A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13 e afins. Quando o antagonista se repete, fica mais difícil agradar, surpreender e divertir a pessoa do outro lado da tela. É preciso criatividade e ousadia na direção e roteiro -- coisa que passa longe de Halloween Assombrado.

As motivações de Slappy, ainda que diferentes em essência do primeiro filme, acabam se tornando a mesma coisa. Aos poucos, então, o longa-metragem vai entrando em uma espiral de repetições. Os monstros são quase os mesmos, os perigos parecem uma reprise do filme de 2015. A ideia de tirar Jack Black do protagonismo, e colocá-lo apenas na dublagem de Slappy e em uma ponta do longa-metragem, também não foi feliz. Ele dava uma leveza que o trio de atores adolescentes não consegue trazer à tela.

Para quem tem o longa de 2015 fresco na memória, então, Halloween Assombrado se torna apenas um déjà vu de 100 minutos. Até diverte em algum ou outro momento, como as cenas envolvendo Ken Jeong (Se Beber, Não Case) e outras com o balconista de uma loja, e continua impressionando pela criatividade das criaturas -- a aranha feita de balões é o ponto alto. Mas não é o bastante para torná-lo divertido como o anterior.

Quem deve se divertir muito com o longa-metragem de Ari Sandel, então, é o público que entra em contato agora com a franquia ou, ainda, os pequenos que só querem ver uma boa diversão, dar algumas risadas e sentir um prazeroso medo com criaturas que assustam. A torcida agora, então, é que o próximo filme da franquia -- como a última cena já dá a deixa -- seja mais criativo, ousado e arriscado. Boas histórias, afinal, não se criam a partir do nado ou sem sair do lugar-comum. E Goosebumps, com certeza, tem lugar pra isso.