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  • Matheus Mans

Crítica: 'Natureza Selvagem' parece o piloto de alguma série genérica


Quem lê qualquer coisa sobre Natureza Selvagem, filme polonês do cineasta e roteirista Adrian Panek, deve se animar. Afinal, com o título em inglês remetendo aos lobisomens, parece que o longa-metragem mistura as criaturas místicas, com nazistas e crianças tentando sobreviver em um campo de concentração -- talvez uma espécie de nazi exploitation, mais regradinho?


No entanto, o resultado nas telas não poderia ser mais decepcionante. O longa-metragem conta a história de um grupo de crianças e adolescentes libertadas de um campo de concentração nazista, mas que não encontram vida fácil. Elas vão morar numa casa abandonada, no meio do nada, onde precisam lidar com adversidades, inimizades, falta de comida e a presença de cães.


Isso mesmo: cães. Nada de lobisomens ou criaturas de outro mundo. O que Panek faz, e até com alguma habilidade, é colocar cachorros ferozes -- provavelmente tão famintos quanto aquelas crianças -- no caminho do ex-prisioneiros. Dessa forma, não trabalha nenhum dos polos: nem a densidade política daquela história, tampouco a bizarrice típica dos anos 1980 dessa situação.

Panek, meio que se rendendo às convenções, acaba apostando num suspense, com toques de gore, que nada se diferencia do que é feito por aí. Pelo contrário. A trama, inclusive, acaba girando em círculos cansativos, sem grandes avanços. Pelo menos o elenco mirim é relativamente talentoso. Eles passam por um processo de animalização forte e interessante.


Na conclusão do longa-metragem, essa sensação toda fica ainda mais evidente. Sem uma conclusão realmente inteligente e impactante, Natureza Selvagem perde a oportunidade de ser um exemplar diferenciado no mar de produções sobre a Segunda Guerra Mundial. Nem mesmo o vilão do filme (um rapazinho bastante odiável) tem uma conclusão decente. Fica tudo no ar.


Natureza Selvagem, assim, poderia ser um nazi exploitation moderno, ou até mesmo um terror com toques de anos 1980 -- talvez alguma reviravolta com os tais cachorros, ou uma condição ainda mais extrema exigindo decisões complexas daqueles jovens. Mas nada disso. O filme termina na apatia, assim como começou, sem nunca conseguir se decidir por algum caminho.

#Crítica #Cinema #Filme #Drama #Terror

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