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  • Matheus Mans

Crítica: '007: Sem Tempo para Morrer' é despedida digna de Daniel Craig

Atualizado: Out 6


Quando os créditos de Spectre surgiram na tela, há alguns anos, era evidente: não tinha como aquele ser o último filme da saga Daniel Craig como James Bond, como queria o astro na época -- que chegou a confirmar sua saída. Muita coisa sobrou para ser finalizada e encerrada de maneira digna, como deveria ser. Agora, com o aguardado (e atrasado!) 007: Sem Tempo para Morrer, finalmente vemos a despedida que o Bond de Daniel Craig merecia nos cinemas.


Dirigido por Cary Joji Fukunaga (Beasts of no Nation), que também assina o roteiro ao lado de Neal Purvis, Phoebe Waller-Bridge e Robert Wade, o longa-metragem começa com Bond viajando ao lado da amada Madeleine (Léa Seydoux). Parece uma viagem paradisíaca, sem qualquer problema. No entanto, quando Bond tenta se desapegar do passado, se vê no meio de uma armadilha. Precisa fugir, escapar, se esconder. Cinco anos depois, começa a nossa história.


Com 2h43 minutos de duração, 007: Sem Tempo para Morrer passa como um sopro, quase nunca perdendo o passo. Afinal, mesmo longo, Fukunaga foca em resolver essas amarras do passado de Bond. Faz algumas homenagens com aparições rápidas ou discretas, mas foca nas soluções. Como fica o relacionamento entre Bond e Madeleine depois de tudo que aconteceu? Como fica Blofeld (Christoph Waltz)? E a Spectre? São coisas que precisam ser solucionadas.

Assim, vamos acompanhando Bond caindo nessa trama de acontecimentos do passado e do futuro que se entrelaçam, se conhecem, se misturam. É interessante ver narrativas enfim chegando ao fim, ainda mais com sequências muito bem dirigidas por Fukunaga -- a perseguição logo no início e um plano-sequência mais próximo do final mostram a qualidade do cineasta. Ou seja: há uma preocupação com essa amarração final narrativa com boa ação.


Enquanto isso, fica evidente como a participação de Waller-Bridge no roteiro traz um frescor quase inédito para a franquia. A personagem de Lashana Lynch é uma rara ousadia vista nos filmes de 007, enquanto Ana de Armas mostra como poderia assumir o papel principal da franquia sem qualquer problema. Fica até estranha sua participação no longa-metragem. Está ótima em cena, com bom humor e fisicalidade. Sério mesmo que fica apenas por isso?


A trama envolvendo o vilão interpretado por Rami Malek (Bohemian Rhapsody) é a única coisa que sobra. Ainda que seja interessante a forma que o vilão age, por meio de uma tecnologia que "envenena", não há a potência necessária e esperada. Acaba sendo algo até mesmo cansativo -- além de que demora demais para sua existência fazer sentido, fora suas motivações já usadas demais por aí. Perto de tudo que 007: Sem Tempo para Morrer apresenta, é pouco. Muito pouco.


E o final.. Ah, o final. Sem spoilers: é ousado, forte, emocionante. É o encerramento perfeito para um Bond durão, mas que tem certa sentimentalidade por trás. Obviamente, a franquia fecha de maneira pouco coesa: Skyfall é muito, muito acima da média; Cassino Royale diverte; Spectre está na média, mas com momentos realmente satisfatórios; e Quantum of Solace é aquele caos sem graça. Ou seja: tem seus problemas, mas vai ficar gravado positivamente na memória.


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