• Matheus Mans

Crítica: '18 presentes' é drama italiano emocional e simples da Netflix


Depois de O Milagre da Cela 7, a Netflix traz mais um filme ao seu catálogo para quem quer se debulhar em lágrimas. Desta vez, a aposta do streaming está em 18 presentes, novo drama italiano sobre a relação entre uma menina, seu pai e a mãe, morta durante o parto. É um longa que vai direto ao seu objetivo: fazer chorar e levar, no fim das contas, uma mensagem edificante.


Dirigido pelo cineasta italiano Francesco Amato (do bonitinho Deixe Ir), o filme concentra sua história, principalmente, no processo de descoberta e reflexão de Elisa (vivida pela boa atriz Vittoria Puccini). Revoltada desde pequena, ela não entende a morte da mãe. Tampouco os tais 18 presentes do título, deixados por ela, a serem entregues no aniversário da filha por 18 anos.


Amato, que também escreveu o roteiro ao lado de outros três roteiristas, não dá margem para o filme ousar ou quebrar paradigmas. Emocional até o último fio de cabelo, atingindo aquele típico dramalhão italiano, o longa-metragem segue a história passo a passo, para que o espectador não perca nada. Não há inovações, não há nada de novo. É uma bonita história materna. E só.


E isso pode incomodar alguns. Pessoas que não gostam dos chamados "filmes para chorar" não vão encontrar nada de novo aqui, apenas um roteiro que se inclina para causar emoção e comoção. E olha que teria espaço: assim como o recente e delicioso Entre Tempos, por exemplo, havia espaço para uma quebra de linearidade e experimentação, deixando a trama saborosa.


De resto, porém, o filme funciona para quem quer uma trama do tipo. A relação entre Elisa e sua mãe é bonita e edificante, assim como as atuações de Puccini (de Maravilhoso Boccaccio) -- que demora a cair no gosto do espectador, revelando camadas de atuação -- e de Benedetta Porcaroli (da ótima comédia Perfeitos Desconhecidos), a mãe tão sensível, forte e inteligente.


No final, assim, são dois públicos bem distintos que vão se encontrar com este filme. De um lado, algumas pessoas vão embarcar na proposta de Amato e se emocionar copiosamente com a história -- ou, pelo menos, achá-la bonitinha. De outro, espectadores vão se encher de tanto dramalhão e tristeza. Afinal, não há muito mais à disposição por aqui. É chorar e se emocionar.

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