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  • Matheus Mans

Crítica: '365 Dias: Hoje' é um dos piores filmes da história do cinema


Sendo bem sincero: não sei bem o que escrever neste texto. Afinal, uma crítica de cinema precisa trazer ideias, olhares, reflexões -- o que acaba causando emoções, desconfortos, discussões, xingamentos. Tudo bem, é tudo normal. Cinema mexe com as emoções e, quando criticamos um filme, é natural causar isso no leitor. Mas como causar isso com um filme como 365 Dias: Hoje? A produção da Netflix em si não tem ideias, propostas, reflexões. Nada.


Sequência do sucesso absoluto 365 dni, o longa-metragem mostra a vida de Laura e Massimo depois de casados -- no entanto, a família do marido e um homem tentando conquistar a esposa entram no meio do caminho. É um fiapo de história, rasa como um pires, que não se desenvolve e não produz absolutamente nada. Não há emoção, empolgação, tensão, riso, nada. É apenas um casal transando como coelhos, sem freios, mas com algumas complicações em seu caminho.


As cenas de sexo, aliás, são outro ponto de preocupação. Possuem uma clara inspiração pornográfica estética, sem qualquer tipo de refinamento para a linguagem do cinema, apenas com a finalidade de causar prazer em uma audiência. Aliás, qual audiência? Quem é o público de 365 Dias? Sinceramente, só vejo pessoas assistindo ao filme para, logo depois, falarem mal. Há quem realmente goste deste material, entre o videoclipe e a pornografia, sem história?


A própria entrada do personagem Nacho, o jardineiro, é uma das cenas mais vergonhosas que já pude ver na tela da Netflix. O sol ao fundo, o jardineiro tatuado de regata sentando no beiral enquanto mostra os músculos, Laura causando a troca de olhares. "Ser uma boa esposa é um dos trabalhos mais difíceis do mundo", diz o personagem, no roteiro do trio (TRIO!) Blanka Lipinska, Tomasz Mandes E Mojca Tirs. Nada é real, nada faz sentido -- assim como aquela cena grotesca no campo de golfe logo no começo. Como três pessoas escreveram algo assim?


A falta de história, ou a existência de apenas um fiapo narrativo, volta para essa questão da estética pornográfica. Há uma submissão feminina avassaladora em 365 Dias: Hoje, quase tanto quanto no primeiro filme, quando Massimo sequestra a personagem até que ela o ame. O sexo, aqui, não mostra prazer consensual, apenas uma fetichização de uma dominação problemática. E pior: nem dá para dizer que as cenas são ousadas. Faltaram aulas com Gaspar Noé.


No final, fica a sensação de que estamos vendo a história sendo feita, caros leitores. Na nossa televisão, na nossa tela, estamos vendo o lançamento de um filme que é, certamente, um dos piores já feitos na história da sétima arte, sem qualquer possibilidade de ser ao menos divertidinho por ser tão ruim. Atuações tenebrosas, direção sem sentido de Barbara Bialowas e Tomasz Mandes. Se a Netflix quiser recuperar seus assinantes, não será com a saga 365 Dias.

 

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