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  • Matheus Mans e Bárbara Zago

Crítica: ‘50 Tons de Liberdade’ consolida franquia como a pior do cinema


O público já teve que enfrentar muitas franquias ruins nos cinemas, como Resident Evil, Atividade Paranormal e Divergente. No entanto, poucas são tão ruins quanto 50 Tons de Cinza. A história de Christian Grey e Anastasia Steele ganhou o primeiro filme em 2015 e surpreendeu pela falta de história. Depois, em 2017, causou vergonha alheia com o terrível Cinquenta Tons Mais Escuros. E agora enterra de vez a franquia com o péssimo Cinquenta Tons de Liberdade.

A história continua a acompanhar os livros da inglesa E.L. James, que inspiraram os filmes. Em Cinquenta Tons de Liberdade, então, Anastasia Steele (Dakota Johnson) e Christian Grey (Jamie Dornan) finalmente se casam. No entanto, durante o processo de construir uma nova casa e pensar na família, o casal fica de frente com uma ameaça perigosa: o ciúmes e a inveja de Jack Hyde (Eric Johnson), ex-chefe de Anastasia e desafeto recorrente, claro, de Christian Grey.

A partir daí, o filme de James Foley (de Cinquenta Tons Mais Escuros) é uma bagunça sem precedentes. O romance de Anastasia e Christian resvala no absurdo -- por exemplo, eles não conversaram antes do casamento sobre a possibilidade de ter filhos ou, ainda, sobre a liberdade de cada um após o matrimônio. São uma série de situações surreais que tentam dar gás na história, mas que só terminam por derrubá-la. Não há romance mais artificial do que esse.

Pra piorar essa situação, Dakota Johnson e Jamie Dornan atingem o fundo do poço. Nunca antes na franquia eles estiveram tão desanimados: ele por não saber atuar; ela por ver que jogou uma possível carreira promissora no lixo, já que é filha dos atores Don Johnson (de Miami Vice) e Melanie Griffith (Lolita), além de ser afilhada de Antonio Banderas -- que tem se revelado como um ótimo ator de filmes B. Dakota, sem dúvidas, podia ter feito melhores decisões.

Até as cenas de sexo entre o casal “mais comentado do cinema” estão mais frias. Anastasia solta gemidos com segundos de cena e o Sr. Grey parece perdido, fazendo nem sombra do primeiro filme da franquia. Nem a tal da cena do sorvete -- tão comentada pelos fãs e aguardada por quem leu os livros -- esquentou o filme ao nível prometido desde o início da franquia. Erro crasso de direção, de atuação e de edição, que deveriam ter visto o problema disso.

E o grande diferencial deste filme, que é o suspense não visto nas outras histórias, causa vergonha alheia. Parecido com a pior fase de Joel Schumacher e com a atual safra do ator Nicolas Cage, o suspense envolvendo o personagem Jack Hyde não causa apreensão, não dá medo, não causa angústia. Parte da culpa é do ator Eric Johnson, que tem uma atuação canhestra que abuso dos olhos vermelhos injetados de ódio. E outra do roteiro, que usa o suspense como uma muleta.

Enfim, nada funciona em Cinquenta Tons de Liberdade. Nem a trilha de Danny Elfman, parceiro de Tim Burton, que some em meio a canções entulhadas ao longo da história. Nem a fotografia de John Schwartzman, que tinha sido um dos atrativos do primeiro filme. Nem o elenco de apoio, que perdeu Kim Bassinger para dar destaque à Rita Ora. É uma série de erros que faz com que este filme seja o melhor por ser o último de uma franquia que suja o cinema.

Agora, é torcer para esquecerem Cinquenta Tons no fundo de um baú bem escuro para não ser revisitado com os herdeiros de Christian Grey. Seria um grande pesadelo -- que nem Jamie Dornan quer relembrar.