• Matheus Mans

Crítica: ‘76 Days’ é documento histórico sobre crise do coronavírus


Foi entre o final de 2019 e o começo de 2020 que estourou uma crise sanitária numa cidadezinha afastada, pequena, na China. Wuhan, de uma hora para outra, se tornou o epicentro mundial do que seria discutido (e muito!) ao longo dos próximos meses: o novo coronavírus. Diz a ciência que foi ali que a pandemia mundial, que matou milhões, iniciou.

O documentário 76 Days, exibido no Festival de Toronto, busca condensar em pouco mais de 90 minutos essa experiência inicial em Wuhan. Levar o espectador, que de alguma forma ou de outra ainda se encontra impactado pelos efeitos da pandemia, direto para o coração dessa explosão de um vírus impiedoso e que, nos meses seguintes, não veria barreiras.


Lembrando o recém indicado ao Oscar The Cave, o longa-metragem não se propõe a mostrar a cidade, as pessoas, o lockdown. Aqui, o olhar dos diretores Weixi Chen e Hao Wu recai em um hospital da região que precisa lidar com a alta demanda na explosão de casos, o gerenciamento de recursos durante o ápice e, depois, lidar com todas as vítimas.

É um retrato cuidadoso, que buscam mostrar toda a dinâmica desse ambiente desesperador. As roupas, a tristeza das famílias, o senhor idoso que não aguenta mais.


No entanto, ao contrário do citado The Cave, os diretores optam por não seguir apenas uma história, apenas um personagem, apenas um caso. Ainda que algumas pessoas aparecem continuamente na tela (o tal senhor idoso, uma senhorinha com um balão de luva, dentre outros), a maioria vem e vai com a mesma rapidez. Não há tempo de criar uma conexão.


E aí, neste ponto, 76 Days opta mais por ser um excelente documento histórico do que um grande filme. Afinal, não há meios do espectador acompanhar uma narrativa, entender os personagens… Há, ali, um registro de um acontecimento que, de alguma forma, mudou a forma de vivermos, pelo menos por algum tempo, e que será marcado nos livros de História.


Assim, 76 Days é mais um longa-metragem para estudo e para ser exibido em escolas à nossos filhos. Claro: há o interesse, hoje, em saber como foi o estopim do vírus que parou o mundo. Mas a empolgação surge apenas nos dez minutos finais, quando vemos a conclusão de uma história e o fim do lockdown em Wuhan. Quem sabe em futuros filmes...

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