Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: '8 Presidentes 1 Juramento' é filme que passeia pela história política do Brasil


José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro. Foram oito os presidentes brasileiros, sem contar Tancredo Neves, que juraram a Constituição Brasileira. Cada um passou por diferentes desafios, trouxe alguns novos problemas — inflação, confisco de ativos, mensalão, processos de privatização suspeitos, pedaladas fiscais, reformas, corrupção e, enfim, extremismo no País.


Toda essa jornada de presidentes brasileiros é contada em detalhes em 8 Presidentes 1 Juramento, longa-metragem que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 18. Documentário feito apenas com imagens de arquivo, o filme traça um panorama geral e completo sobre tudo o que aconteceu desde a redemocratização em 1985 até os dias atuais, com a eleição de Bolsonaro. É um processo longo e, com isso, também temos um filme longo: são quase 2h30 de duração.


É, sem dúvida alguma, um material denso e complicado de mergulhar. Afinal, são vários fatos, empilhados em reportagens e imagens jornalísticas, espalhados em uma narrativa que não é das mais saborosas. É preciso, de fato, gostar de política e se interessar por ver alguns desses momentos históricos — a ligação de Tancredo para João Figueiredo, o histórico pedido de desculpas de Lula pelo mensalão, a reação de Dilma após ataques políticos na sua reeleição.

Com ares de retrospectiva de final de ano, mas com conteúdo de três décadas, mergulhamos na história do Brasil desde seus momentos mais bizarros (os fiscais do Sarney), passando por tristezas que marcaram famílias (o confisco das poupanças) até a mudança de comportamento vista na década de 2010. Sofremos, torcemos, brigamos. Mas o Brasil, desde os anos 1980 até hoje, parece preso em um looping sem fim, em que não conseguimos sair do caos político.


8 Presidentes 1 Juramento, obviamente, não traz análises precisas sobre esses períodos da história, tampouco se aprofunda. São passagens rápidas. Afinal, o longa-metragem de Carla Camurati, que assina direção, roteiro e produção, não esconde o fato de ser um filme essencialmente didático. É fácil imaginar, daqui alguns anos, a produção sendo material de exibição em sala de aula para que alunos possam visualizar tudo que aconteceu no Brasil.


Além disso, o trabalho de pesquisa e de recuperação de arquivo é incrível — aplausos para Antonio Venancio, pesquisador, e para a edição de Joana Ventura. Além disso, dá para dizer que há um comentário de Camurati por trás. Com exceção de Collor, todos presidentes apresentam momentos que, de alguma forma, se contrapõem ao que é feito no Brasil com Bolsonaro. Relações externas ótimas, fortalecimento do País, homenagem à Fernanda Montenegro...


8 Presidentes 1 Juramento termina e começa como um filme didático, com forte trabalho de pesquisa, sendo, assim, de nicho. Professores, alunos e pessoas realmente interessadas em política brasileira são os únicos que vão encontrar espaço para realmente gostar e aproveitar as quase 2h30 de duração. E, pensando dessa forma e com essa especificidade, 8 Presidentes 1 Juramento cumpre muito bem o seu papel de olhar para futuro por meio do passado.


0 comentário