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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Chamada' mostra os novos caminhos do cinema de Liam Neeson


Há dois anos, Liam Neeson fez uma declaração que ninguém esperava: ele estava se aposentando do cinema de ação. Disse que já estava ficando velho e não fazia sentido continuar com o mesmo estilo de filmes. Faz sentido. Agora, já conseguimos sentir melhor os efeitos dessa decisão de Neeson com filmes como A Chamada, estreia desta quinta-feira, 24 de agosto.


Dirigido por Nimród Antal (de Controle e Predadores), o longa-metragem conta a história de um homem inescrupuloso (Neeson), do ramo financeiro, que sai de casa para levar os dois filhos para a escola. O que ele não espera é que há uma bomba debaixo de seu banco de motorista. Se ele sair dali, tudo explode -- incluindo ele e seus filhos. O que fazer? Quem armou isso?


A partir daí, acompanhamos uma trama que pende mais para o thriller e para o suspense do que para a ação, ainda que Neeson continue como aquela figura que faz de tudo para defender os filhos. É, assim, um Liam Neeson mais contido, que não desfere um único soco ao longo de todo o filme, e que tem numa cena de corrida de carros o seu ápice da ação e enfrentamento.

Segunda adaptação de El Desconocido, a história é naturalmente boa -- se não fosse, não teria dois remakes. Você, como espectador, fica intrigado em saber como a situação irá se desenrolar e como o protagonista vai escapar vivo. A boa atuação de Neeson, que sempre se dá bem nesses papéis de personagens tentando sobreviver, também ajuda a dar o tom da boa narrativa.


No entanto, o diretor Antal comete alguns pecados que enfraquecem a história. Por exemplo: toda a narrativa se passa dentro de um carro, mas nunca, em momento algum, o cineasta brinca com o sentimento claustrofóbico da coisa. Uma movimentação para pegar algo no porta-luvas, por exemplo, poderia desencadear um bipe de movimentação. Retorna pro lugar? Fica parado?


São pequenas sacadinhas que passam batidas e que poderiam deixar a trama bem mais intensa e interessante. Além disso, o final é bem diferente dos outros dois filmes e segue por um caminho diametralmente oposto do que vimos até agora. Por um lado, é bom: mostra que o filme não é um copia e cola descarado, sem qualquer sopro de inventividade no que é contado aqui.


Por outro, a revelação final é, basicamente, um furo de roteiro. Preste atenção no filme e perceberá como aquilo não é possível. Isso faz com que a história fique bem menos interessante e o impacto final, que poderia elevar o filme para outro patamar, o torna bobo -- parece que o roteiro de Christopher Salmanpour não soube como encerrar a história sem se atropelar.

 

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