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  • Matheus Mans

Crítica: 'A Chance de Fahim' é filme eurocêntrico, mas bonitinho


Em 2019, o 'Esquina' detonou o longa-metragem francês 'Boas Intenções'. No texto, explicamos bem o nosso motivo: apesar de ser bonitinho e engraçadinho, o filme tinha uma mensagem eurocêntrica e até agressiva, que diminuía estrangeiros e exaltava as qualidades e bondades do povo francês. Agora, a situação se repete -- em menor escala -- no regular A Chance de Fahim.


Este drama francês conta a história de Fahim (Assad Ahmed), um garotinho de Bangladesh que vai com o pai Nura (Mizanur Rahaman) buscar uma oportunidade na França. O grande sonho e objetivo é fazer com que o menino seja campeão de xadrez, esporte praticado pelo garoto há anos, e que pode dar um verdadeiro passe-livre para toda a sua família em território francês.


Dirigido por Pierre-François Martin-Laval (Gaston Lagaffe), A Chance de Fahim erra, novamente, ao colocar europeus como salvadores do povo marginalizado de outros países. No caso, Gérard Depardieu (Minhas Tardes com Margueritte), o técnico francês de xadrez de Fahim que faz tudo o que o pai não faz -- vai atrás das coisas, batalha pelo menino, o defende, dentre outras coisas.

Dessa maneira, rapidamente, cria-se uma antipatia por Nura e uma crescente empatia pelo técnico, por mais que o bengalês seja um homem doce e honesto; e o francês, um homem bruto e de poucas palavras. Há uma contradição aí. E por mais que a história seja real, é difícil acreditar que o pai tenha deixado o menino da forma como deixou. Só com o técnico e olhe lá.


Além disso, apesar do bom desempenho de Assad Ahmed e, principalmente, Depardieu, o elenco não está bem. A maioria das crianças coadjuvantes exagera no tom e não consegue entregar boas performances. Há uma artificialidade que não rompe, não cessa. Ao ficar de frente com um monstro sagrado como o ator francês, a diferença interpretativa fica ainda mais evidente.


Por fim, do lado negativo, é preciso falar que o roteiro do próprio Martin-Laval é péssimo. Cheio de maneirismos, clichês e lugares-comum. Várias cenas terminas de maneira previsível.


Mas, passado isso (que são uns problemas e tanto!), há algumas coisinhas a se destacar. Primeiro, o filme é bonitinho, simpático e tudo mais. Como uma espécie de Sessão da Tarde, o longa-metragem consegue trazer uma dose interessante de emoção com empolgação -- apesar de não ser fácil falar de xadrez, como O Dono do Jogo e Rainha de Katwe já mostraram por aí.

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