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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Cozinha' é filme deslumbrado sem ter o que dizer


A exibição de A Cozinha na noite de terça-feira, 25, foi cercada de celebração. No Espaço Itaú de Cinema da Augusta, os tradicionais cinéfilos da Mostra de São Paulo deram espaço à pessoas claramente empolgadas pela exibição -- eram profissionais envolvidos na produção ou, então, relacionados com o filme em si. Tudo muito animado, feliz e empolgado até a exibição do filme.


Curtinho, com uma hora de duração, A Cozinha tem uma proposta simples: assim como Deus da Carnificina, coloca quatro pessoas para conversar em um mesmo ambiente durante quase todo o tempo de duração da produção. É a partir do contato e das relações entre os personagens que o filme vai construindo sua história, revelando reviravoltas e trazendo tensões para a trama.


Estreia de Johnny Massaro na direção, o longa-metragem se debruça sobre dois casais papeando na cozinha. O elo entre eles é a amizade entre Rodrigo (Saulo Arcoverde) e Miguel (Felipe Haiut), colegas de escola que se reencontram depois de muitos anos. As companheiras de cada um deles (Catharina Caiado e Julia Stockler) tentam se enturmar nesse contexto.

Mais do que reencontros, A Cozinha fala sobre identidade e, principalmente, sexualidade reprimida. Temas caros, principalmente no momento que vivemos, mas que são tratados com a profundidade de um pires. A sensação é de que Felipe Haiut, que assina o roteiro, teve um lampejo de ideia e pronto, fez o filme. Não há reflexão em cima do tema, nem desenvolvimento.


A Cozinha faz tudo correndo e, mesmo com temas com tanta coisa pra abordar, não sabe segurar a temática. Fica no quase, no mundo das ideias. Difícil também entender o tom da produção: usa um humor sádico e não sabe muito bem quando mudar, quando virar a chavinha. Fica nisso até os instantes finais, quando as coisas saem do controle e se tornam exageradas.


É, enfim, um filme apressado. Um filme que poderia ser importante e impactante, mas não é nada além de uma bobagem pretensiosa. Uma pena. Pelo menos, Massaro mostra ser um diretor de mão cheia: mesmo com um roteiro tão ruim e sem vida, A Cozinha conta com momentos realmente bem dirigidos. Fico curioso para vê-lo por trás de mais projetos.

 

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