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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Filha do Rei do Pântano' é bom suspense doméstico


A Filha do Rei do Pântano é um suspense um tantinho diferente do que estamos acostumados. Ainda que tenha ecos evidentes do chamado "suspense doméstico", da mesma linha de Garota Exemplar e A Mulher na Janela, o novo longa-metragem de Neil Burger que estreia nesta quinta-feira, 28, difere em duas coisas: sua origem como história e, acima de tudo, o seu ritmo.


Pra começo de conversa, o longa-metragem é inspirado em um livro de Karen Dionne -- best-seller absoluto. No entanto, antes disso, a autora se inspirou em um conto homônimo e menos conhecido de Hans Christian Anderson, autor de contos de fadas. Na história original do dinamarquês, uma menina que não fazia ideia de que era capaz de salvar seu pai, um rei egípcio.


Aqui, Karen modernizou a história. Acompanhamos a jornada de uma mulher (Daisy Ridley, dos novos Star Wars) que é assombrada pela figura de seu pai. O motivo? Ele sequestrou a mãe dessa mulher, que viveu em cativeiro até a filha ter lá seus 12 ou 13 anos. Ele é preso, mas, anos mais tarde, escapa da prisão e se torna uma ameaça à sua família. O que ele quer? Será que tem o desejo de sequestrar a filha novamente? Será que a neta do criminoso está em risco?


De tom constantemente tenso, o longa-metragem sabe como criar o ambiente. Apesar da direção exageradamente lenta de Burger, diretor de Divergente e O Ilusionista, o filme deixa qualquer espectador com frio na barriga. É como uma panela de pressão cozinhando o público, que descobre tudo logo de cara e, depois, é apenas cozinhado até sua conclusão.

Há, sim, um constante clima de familiaridade no que está sendo contado. Apesar da inspiração em Andersen, o longa traz muitos elementos do suspense doméstico. Difícil não fazer paralelos, por exemplo, com Um Lugar Bem Longe Daqui, lançado no ano passado, e que tem o mesmo cenário e uma história familiar trágica. Acaba ficando uma sensação eterna de repetição.


Pelo menos, porém, há essa tensão crescente (com um final digno para a expectativa criada) e, principalmente, boas atuações. Ridley faz o seu primeiro grande papel após o fim de Star Wars, mostrando que sabe como atuar em silêncio, apenas com olhares e gestos. Reforça, novamente, a injustiça que ronda sua carreira, renegada apesar do bom desempenho na saga Skywalker.


Mas é Ben Mendelsohn que rouba a cena: apesar de aparecer menos, consegue dar frio na barriga como uma espécie de psicopata, mas com camadas. Nada daquele homem que é mau por ser mau, que comete crueldades sem pensar duas vezes. Ele é charmoso e tenta conquistar as pessoas ao seu redor. Impacta diretamente na relação do público com o filme.


A Filha do Rei do Pântano, assim, se torna uma boa surpresa do mundo do suspense doméstico que, depois de Garota Exemplar, só decepcionou com A Garota do Trem, A Mulher na Janela e por aí vai. Referencia e reverencia uma obra clássica da literatura, mas também coloca um tom moderno que deixa o espectador preso no que está sendo contado, mesmo com a lentidão exagerada. Quem sabe, assim, o subgênero ganha uma sobrevida após tantos resultados ruins.

 

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