Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: 'A Força da Natureza', da Netflix, é filme genérico com Mel Gibson


Filmes de catástrofe com furacões misturados com tramas de assalto não são nem de perto uma novidade. No Olho do Furacão, que chegou aos cinemas brasileiros em 2018, tem uma história que segue justamente esse caminho. Por isso, pode-se dizer que A Força da Natureza, novo filme de ação da Netflix, é uma espécie de déjà-vu, repetindo a história genérica sem vida.


Dirigido por Michael Polish (de Amor em Dobro) e roteirizado pelo estreante Cory M. Miller, o longa-metragem conta a história de dois policiais (Emile Hirsch e Stephanie Cayo) que são escalados para retirar moradores de uma cidade que está na rota de um ciclone. Chegando lá, encontram um policial aposentado (Mel Gibson), um idoso e um grupo violento de ladrões.


A partir daí, vemos essa mistura de No Olho do Furacão com Duro de Matar. De um lado, os policiais tentando salvar os inocentes. No meio do caminho, os moradores querendo proteger suas vidas e seus patrimônios. Do outro lado, ladrões que querem passar por cima de tudo e de todos, aproveitando o esvaziamento da cidade por conta do furacão. Uma guerra de interesses.

Apesar da ideia geral ser atraente, tudo é executado de maneira pueril. Primeiramente, o roteiro aposta em coincidências para justificar situações sem qualquer explicação ou sentido lógico. Além disso, a criação dos personagens beira o amador -- o policial vivido por Hirsch tem um dos desenvolvimentos mais juvenis e sem sentido em um filme de ação nos últimos anos, de longe.


Polish também não sabe dirigir nada além da ação. Há uma espécie de romance no meio da história, entre o policial e a filha do personagem de Mel Gibson, que é absolutamente sem nenhum carisma. E pior: o próprio Gibson está mal. Interpretando um homem doente, fica visível a falta de traquejo (ou de vontade?) do ator para viver aquela situação intensa do personagem.


E tudo, absolutamente tudo é previsível. O encaminhamento da história, o final dos personagens, como as coisas se resolvem -- ainda que tenha algumas cenas realmente absurdas lá pro final, com altas doses de vergonha alheia. Mas, você me pergunta: não é nem divertido? E isso não tenho como afirmar, caro leitor. Se você quiser só passar o tempo, pode achar diversão por aqui.


Eu, particularmente, consegui dar umas boas risadas, o que obviamente não é o foco do longa-metragem. O segredo aqui é desligar a mente e o raciocínio, esquecer os problemas lá fora e embarcar numa trama sem pé, nem cabeça para te distrair. Assim, aos trancos e barrancos, A Força da Natureza é um filme que tem seus méritos, mesmo sendo realmente precário.

#Crítica #Cinema #Filme #Ação #Suspense #Netflix

16 comentários